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Procurement em empresas de tecnologia: como esse mercado funciona?

Written byLeo Cavalcanti

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November 9, 2023

November 9, 2023

November 9, 2023

Neste episódio do podcast Procurement Hero, Leo Cavalcanti, CEO e cofundador da Linkana, conversou com Herbert Piedra, Global Head of Procurement na VTEX, sobre procurement em empresas de tecnologia.

Herbert é peruano, estagiou em diferentes países e, quando finalizou os estudos, voltou ao Brasil e construiu sua vida profissional aqui. 

No início de sua carreira, decidiu ser trainee, pois se enxergava muito além de uma área específica. Mas quando teve que escolher um setor para atuar, sua identificação com procurement falou mais alto e, a partir daí, trilhou sua carreira no segmento. 

Após trabalhar muito tempo em uma empresa multinacional, com uma área de procurement consolidada e processos estruturados, teve a oportunidade de assumir um desafio em outro lugar, estruturando o processo do zero. 

Atualmente, Herbert atua na VTEX, e faz questão de expor o desafio particular do procurement em uma empresa de tecnologia.

Neste bate-papo, ele também falou sobre sua visão sóbria e pragmática do papel de criação de valor do procurement nas organizações, do sucesso do VTEX DAY, que é considerado um dos maiores e mais bem-sucedidos eventos de e-commerce do mundo, e ainda compartilhou os erros que cometeu em sua carreira e os aprendizados que vieram com eles. 

Conheça agora Herbert Piedra, mais um comprador do futuro e seu ponto de vista sobre o atual mercado de procurement em empresas de tecnologia.

https://open.spotify.com/episode/4OgLEgPPRfr06fJTcd2zl1?si=AC01SO2hTWGoJiwJpTdWtA

Como foi o início da carreira em procurement?

Leo Cavalcanti

Meu querido Herbert! Cara, sua agenda superconcorrida, e você aqui, aceitou o convite para participar do nosso podcast. Estou muito feliz com a sua presença. Obrigado mesmo por ter aceitado. 

Herbert Piedra

O prazer é todo meu, Leo! Para as coisas importantes, sempre arrumamos um espaço na agenda. Então, conta comigo! Um prazer estar contigo e com a galera que está nos ouvindo. Espero que a gente consiga trazer informação bem relevante para o nosso dia a dia.

Leo 

Cara, muito obrigado pelas palavras e já vamos falando sobre você. Queria uma apresentação sua. Sei que você já tem uma carreira longa, de quase 10 anos em procurement.

Compartilha como foi essa história até você chegar onde chegou. Hoje, você é head global da área de Procurement da VTEX

Herbert

Claro, legal! Bom, já pelo sotaque, deve ter dado para perceber que eu não sou brasileiro. Sou peruano, mas fiz a minha vida profissional inteira aqui no Brasil. 

Me formei e fui fazer estágio em diferentes países. Morei nos Estados Unidos, no Panamá e, depois que finalizei meus estudos, falei: "Cara, eu gostei do Brasil!". Tinha feito um ano de USP e voltei com um objetivo muito claro para fazer trainee. 

Eu não sabia que trainee não era muito comum por aqui, ou que nem todo mundo queria fazer isso, mas eu tinha essa visão muito clara porque enxergava minha carreira além de uma área específica.

Obviamente, eu já estava dentro de procurement, mas sempre me vi como uma pessoa de negócios: um trabalhador, funcionário, estagiário ou analista, o que você quiser, mas em negócios, muito mais do que a caixinha onde você está, especificamente. Isso fará muito sentido ao longo da nossa conversa, porque muitos exemplos que darei estarão atrelados a isso. 

O começo como trainee

Então, entrei em um programa de trainee em uma multinacional, uma grande empresa aqui no Brasil, e global. Foi um período de muito aprendizado, no qual, como trainee, tive uma porta de entrada diferenciada. 

Aqui, eu faço esse disclaimer, essa ressalva de que não se trata de que sua carreira mudará porque você é trainne, você só entra uma porta diferenciada. Por quê? Porque você tem networking, tem aprendizado, tem uma visão sistêmica da empresa, tem acesso aos desafios da fábrica, dos vendedores, dos gestores.

Essa parte é muito rica, mas isso nunca garante promoções futuras. É só uma oportunidade que se tem. A partir do ano dois, no momento que você deixa de ser trainee, você é mais um. A partir daí, você vai trilhando sua carreira e os resultados vão crescendo. 

Eu passei por multinacional, sempre dentro procurement, então tive a opção de escolher qual área queria ficar, e eu me identifiquei muito com procurement por essa visão de negócios, de parceria com os fornecedores, de criação de valor, de ser estratégico. 

O primeiro desafio na carreira

A partir daí, fui trilhando uma carreira e surgiu uma oportunidade de sair da empresa na qual eu trabalhava e embarcar em outro rumo e participar da criação de uma área centralizada de compras. Um desafio totalmente diferente de quando se trabalha em uma multinacional, com processos que já existem há 10, 20, 30 anos.

Estruturar coisas do zero foi algo que acabou tendo muito match comigo, e esse foi o último desafio que eu vim fazer aqui na VTEX. Depois de ficar outros 4 ou 5 anos na minha segunda empresa, acabou surgindo a oportunidade, pois a VTEX precisava dar um passo a mais de maturidade

A companhia tinha a convicção e a vontade de abrir o capital nos Estados Unidos — isso acabou acontecendo — e eles precisavam estruturar uma área de compras em uma empresa de tecnologia altamente dinâmica, porém, que já tinha 20 anos, mas eles precisavam criar essa área.

E eu sou uma pessoa movimentada por desafios, e quer maior desafio do que embarcar em algo que era muito diferente? Não só pelas skills técnicas, se não pelas skills de gestão de mudança, que fizeram muita diferença.

É onde estou atualmente, há dois anos e meio. Sou o líder global de procurement na VTEX, uma empresa de tecnologia que fornece soluções digitais para grandes empresas, tanto no Brasil quanto na América Latina, Estados Unidos, Europa e Ásia, e que está presente em quase 20 países. 

É um desafio particular ser procurement em empresas de tecnologia, e esse é um pouco do meu pitch de apresentação. 

Dica! Leia também: "Como desenvolver uma carreira em compras? Dicas de um especialista!"

Como as diferentes escolas ajudaram a enfrentar os desafios?

Leo

Cara, super legal. E como você falou: desafios muito diferentes. Primeiro, você vem de uma escola megaconsolidada, com a tradição de décadas de procurement, e chega na VTEX para construir algo do zero. 

Eu queria que você se aprofundasse um pouquinho nessa diferença. O que você trouxe de bagagem, que foi muito útil nessa escola? O que aprendeu de totalmente novo que você ficou: "Caramba, que isso aqui não vai funcionar"? E onde Herbert se adaptou melhor? O que você quer continuar e até fazer de novo daqui para frente? 

Herbert

Excelente, perfeito! Nos primeiros anos de carreira, foi uma escola maravilhosa, porque me permitiu ter contato com processos muito mais estruturados, muito mais maduros. 

Nada é perfeito na vida, por isso, não era perfeito e, obviamente, estamos aqui para deixar um pouquinho melhor a cada etapa que passamos. Mas isso me permitiu trabalhar com gente muito competente, ter ótimos treinamentos, aprofundar em treinamentos técnicos de PDCA, de Lean Six Sigma, Yellow Belt, White Belt, Green Belt e formação de metodologia. 

Isso foi algo que, quando falamos, por exemplo, de discurso de Jobs em Stanford, de connect the dots, na hora você acaba comentando: "Putz, será que eu vou usar?". Mas quando você persevera, anos para frente, fast forward, oito anos para frente, toda essa metodologia que aprendi acabou sendo usada para coisas que não eram tão operacionais, mas, sim, estratégicas. E essa visão de negócio fez muita diferença. 

Sair de uma empresa com uma área de procurement que já existe, é consolidada, gera valor, e ir para uma empresa de capital fechado, nacional, de serviços financeiros, que tem o desafio de centralizar,...essa gestão de mudança precisa ser feita com muito cuidado, prezando pelas pessoas. 

O maior desafio de começar uma área de procurement do zero

O maior desafio, nesse caso, não é técnico, de executar uma estratégia de sourcing, fazer uma negociação com modelinho e tal, cara. Isso você abre um livro, estuda, pratica, vai. 

Porém, a gestão de mudança com pessoas — sendo que você é o outsider que acabou de chegar —, requer muito soft skill, trabalhar com pessoas com espírito mais colaborativo que, às vezes, quando lidamos com estruturas em silos, na qual procurement é um silo, marketing e TI outros, você acaba não desenvolvendo.

Isso demandou em mim a capacidade de desaprender algumas coisas que funcionavam em uma cultura diferente — funcionava bem para eles, mas não em outra, pois é uma cultura diferente, com pessoas diferentes e em cenários diferentes. 

Por conta disso, a capacidade de aprender, desaprender e reaprender foi algo muito importante não só tecnicamente, mas também no que chamamos de soft skills comportamentais, e algumas outras habilidades que foram muito necessárias. 

Por exemplo, como você venderá sua ideia de mudança, de centralização das coisas? Você tem que vender a ideia, tem que desenvolver um storytelling, que fazer um pitch, ser um vendedor. 

Tudo bem que somos procurement, somos compradores, mas se você não tem capacidade de defender a ideia que pode movimentar as pessoas, deixará muita mudança a ser feita e não conseguirá coletar os resultados.

Outro desafio dessa jornada

E o terceiro desafio que tive quando fiz mais uma transição de carreira e fui para a VTEX, foi desaprender muita coisa das duas anteriores e entender muito bem qual é o momento no qual estava entrando na empresa.

A VTEX era uma companhia de 21 anos naquela época, agora já tem 23 anos. Já estava reinventando muita coisa, contratando grandes fornecedores, atendendo grandes clientes. 

Eles já faziam várias atividades, algumas certas que foi preciso manter, estruturar, padronizar e replicar; outras erradas, que foi necessário mitigar o risco, cessar e colocar de uma maneira mais estruturada de realizar. 

Como fazemos isso em um ambiente dinâmico, no qual nosso produto e soluções são softwares, onde temos perfis muito claros de competências e de perfil mesmo, quando você pensa no conceito de persona? 

Por exemplo, o time técnico de engenharia tem alguns skills, alguns motivadores, tem uma forma de comunicação e de entender as coisas. O time comercial é diferente, o time financeiro é outro. 

Então, algo que aprendi é: não tente replicar receita de bolo. Não é porque funcionou na sua empresa interior, que quer dizer que você vai trazer, copiar e colar. Se fizer isso, errará muito. Esvazia o copo, reaprende, faz um assessment e vai conquistando. Tenha esse entendimento global. 



É possível pensar igual sobre procurement em empresas de tecnologia?

Leo

Adorei! Tentando resumir o que você falou, primeiro essa ideia do aprender, desaprender e reaprender. Ou seja, é preciso, realmente, ter uma cabeça muito aberta. Depois você falou muito dessa ideia do soft skills e do storytelling, é preciso saber vender ideias, e até se vender para caminhar bem no meio corporativo. 

Creio que talvez o ponto mais importante, que é uma característica muito forte do seu perfil, é essa adaptação ao contexto e entender que cada lugar exige um profissional diferente. 

Assim como você, gosto muito de conversar com pessoas do mercado. Estamos sempre conversando, conhecendo pessoas muito diferentes, e se tem uma característica que para mim, é muito forte em você, é essa visão pragmática, esse pragmatismo de falar: "cara, eu preciso fazer não o que eu quero, mas o que a empresa precisa para um momento dela e tenho que estar pronto para, talvez, até mudar muita coisa na minha cabeça para enfrentar aquele desafio". 

E eu queria saber — até pegando um pouco dessa sua trajetória de fazer muito networking, de trocar muitas experiências — você acha que essa cabeça do Herbert, hoje, é a mesma do profissional de procurement que está no mercado? É como todo mundo pensa? Você acha que ainda é um pouco contra a cultura, nesse sentido, ou depende da organização que estivermos falando?

Herbert

Na verdade, seria muita arrogância minha achar que o jeito que eu lido com as coisas é o jeito certo. Eu não sei qual é o jeito certo. Não existe jeito certo. Existe um match muito bom entre o que a empresa precisa, o que o desafio precisa e o que o profissional tem de melhor de competência.

Tenho essas conversas ao longo da minha carreira, de mais de 10 anos, de, por exemplo — agora não, que estou embarcando no projeto da VTEX — mas, em algum momento, recrutadores entrarem em contato e falarem: "cara, tem essa proposta e tal?". 

É muito importante entender o que você faz bem, e aqui entro no conceito de autoconhecimento por meio de experiência, terapia, interação com psicólogo, networking, de N coisas. 

Autoconhecimento é algo que leva o profissional daqui até aqui. Dá um salto radical porque, na hora de saber o que você faz muito bem, qual é teu nicho, o que você gosta também — não vamos cair na armadilha de "trabalhe com o que você gosta, você nunca vai trabalhar", — é importante gostar de algumas coisas que você faz, porque isso ajudará a fazê-las muito bem. 

Umas vezes tem a pergunta: "você adora tudo o que faz?" Não, cara, tem coisa que é muito chata, que quando temos um time enxuto, tem trabalho operacional. Agora, esse trabalho operacional tem em todos os níveis. Eu toco coisas início, meio e fim e algumas coisas operacionais, meus gestores também, meus analistas e estagiários também. 

Isso traz um senso de unidade, no qual todo mundo tem autonomia dentro do seu escopo,  e o papel do líder é tentar tirar o melhor das pessoas

A necessidade de pensamentos diferentes

Então, sua pergunta é se minha forma de pensar é muito comum para todas as empresas. Talvez não, porque talvez não seja isso que elas precisam. Talvez elas precisem de um gestor que — não sei, sua empresa é exportadora, exemplo —, você necessite de um gestor com alto skill técnico em commodities. Negociação de lata, de pet, de insulfilm, são contratos de cinco anos, muito técnicos, negociado pelo global, gigantesco, a pessoa que faz carreira. 

Tenho amigos de multinacional que entraram no mundo do agro e seguem há 10, 15, 20 anos de carreira nesse mundo, porque é muito específico. Farma é a mesma coisa. Meu mundo é outro: é tecnologia, é mais dinâmico e, mais uma vez, usamos ferramentas (Matriz de Kraljic).

É preciso entender onde há oportunidade de negociação, onde você pode fazer uma concorrência robusta, mais agressiva e onde tem uma dependência mútua, que precisa criar uma parceria. Quais pontos são gargalo, quais não são críticos, quais são.

Por isso, gosto de pensar que eu não sou o melhor profissional para todas as oportunidades, assim como todas as oportunidades e todos os desafios das empresas, não são as melhores oportunidades para mim.

Porém, na hora que você consegue fazer um match certo, que seja bom para o desafio da empresa e bom para o profissional, as oportunidades de gerar valor para os dois lados se incrementam muito mais. 

Então, não estou focado em tentar replicar meu modelo, mas estou sempre buscando pessoas que não só pensem como eu, mas que pensem diferente de mim, porque isso complementa meu raciocínio. 

Por esses motivos, adoro ter essas interações, esse networking com fornecedores, os meus ou não, pois talvez possamos ter uma parceria no futuro, porque o mercado é muito dinâmico.

Qual o principal erro cometido ao longo da carreira em procurement?

Leo

Legal! E isso volta, novamente, ao ponto da adaptação, pois depende do contexto. Não existe a oportunidade perfeita, em absoluto, nenhum profissional perfeito e absoluto. Creio que isso retoma de uma maneira bem legal o ponto inicial que você trouxe. 

E você falou muito nessa ideia de: "Poxa, não adianta vir com arrogância", e você falou dessa jornada de autoconhecimento. 

Nessa jornada, Herbert, quando você olha para o espelho e lembra dos seus 10 anos de carreira, qual foi o principal erro, ou talvez o maior aprendizado, que você já teve que seria legal compartilhar com quem está nos ouvindo?

Herbert

Não sei se seria legal compartilhar, porque foram vários erros e, pelo amor de Deus, quando olho minha versão de primeiro ano de gestor, era um show de horrores. Eu já teria pego esse gestor, chacoalhado e falado: "não cometa tantos erros desse jeito".

Obviamente, aprendemos muitas vezes com erros dos outros, mas os aprendizados mais memoráveis são os nossos próprios, e 10 anos é muito tempo e muitos erros foram cometidos, o que me deixa mais tranquilo para tentar não cometer os mesmos erros com recorrência. 

Então, cometer um erro (um erro grave), aprender com ele, assumir a responsabilidade, take the bullet, reconhecer o problema, ter essa liderança, evoluir e melhorar com autoconhecimento, mentoria, experiência, aprimoramento e treinamento, isso é muito interessante. 

O principal erro cometido

Um dos principais erros que tive no início da carreira, acredito que no primeiro desafio, foi que eu comecei em uma empresa multinacional que tinha um departamento de procurement muito sólido e grande, e eu errei ao enxergar as coisas através do meu olhar, do meu chapéu de suprimentos

Só suprimentos que serve, só saving, só pagamento, não vai ter negociação, então, tudo bem, vamos encerrar aqui. Ser extremamente agressivo nas negociações, porque era isso que era encorajador em algumas épocas, em alguns relacionamentos com fornecedores.

No final, ao longo do tempo, você acaba percebendo que nem sempre esse tipo de negociações são as mais sustentáveis. 

Tem algumas que você ganha agora, mas o fornecedor ficará com isso gravado na cabeça e, daqui um ano, se tiver oportunidade de colocar alguma dificuldade para você, fará. Do mesmo jeito que a gente, como comprador, lembra daquele fornecedor que agiu de má-fé e teve que renovar o contrato a contragosto, mas você se lembra dele.

Comprador é um perfil bem particular que a gente perdoa, mas não esquece. Eu não vou esquecer disso ou de alguma que foi feita, que não achei justa. Então, um dos maiores erros foi enxergar só pela ótica de procurement

As consequências desse erro

Isso foi uma dificuldade porque, às vezes, é uma armadilha que acontece muito em uma empresa multinacional, na qual o silo em procurement é muito grande. 

Por conta disso, você está acostumado a só olhar esse ponto perde um pouco do que acredito ter sido uma das minhas principais vantagens de experiência profissional e de ter passado por um trainee, e muito mais do isso: ter tido a oportunidade de vivenciar o ambiente de fábrica, corporativo, de RH, de gestão, de vendas, conhecer a logística, e qualidade. 

Ou seja, ter uma visão holística, sistêmica do negócio, e esse é um aprendizado que trago muito forte dentro do meu time na VTEX. 

Tem uma frase que uso muito com minha equipe, é: "Primeiro, somos VTEX, depois, somos procurement". E quando você usa isso? Todo dia! 

Quando você tem que tomar uma decisão que sabe que impactará sua área, gerará retrabalho. "Putz, terei que refazer a planilha". Para e dá um passo atrás. Olha sistemicamente: "É o melhor para a empresa? É! Então, vamos fazer e depois a gente se resolve, depois a gente se abraça, checa com os outros times como vamos dividir esse trabalho operacional. Mas se é melhor para a empresa, então, temos que fazer. 

É colocar o ego de lado, colocar essa visão única de procurement que só o meu importa e o resto que se vire, é uma armadilha que eu acabei caindo como profissional inexperiente, mas que, agora, com um pouco mais de bagagem, entendo que faz muita diferença. 

Não deixe de ler: "Trajetória em procurement: quais os principais erros e aprendizados?"

O que procurement pode aprender com eventos como o VTEX DAY?

Leo

Cara, concordo 100%. E você usou uma palavra que vem sendo repetida por alguns influenciadores no mercado, que é essa ideia do silos de procurement, que muitas empresas acabam criando. E como você falou, perde completamente a percepção do que é realmente a jornada de valor. 

Você olha para saving, para aquele bottom line e esquece que tem todo o valor agregado, e que isso é uma das pontas, apenas uma das variáveis que mexe na equação. 

Eu estava ouvindo um webinar, que foi até a Elouise Epstein quem estava participando, e uma das críticas da conversa era exatamente essa ideia de que a maioria dos sistemas de procurement são pensados para compradores. Usuário requisitante, quem usará a mercadoria e o próprio fornecedor também, que se virem, pois o sistema é para ajudar procurement.

Acredito que isso seja um reflexo exato dessa visão que você falou porque, queira ou não, os sistemas, às vezes, são espelhos dos profissionais no mercado, do que eles estão pedindo, ou do eles acham que é a solução. 

Isso vai muito em linha com as mudanças que todo mundo precisa provocar em procurement, não tem nada mais atual do que buscarmos isso mesmo.

Aprendizados para o mercado de procurement

Eu queria mudar um pouco de assunto aqui. Aproveitando a empresa que você trabalha hoje, para falar sobre o tópico que é uma curiosidade minha, e não tivemos a oportunidade de falar ainda sobre isso, que é sobre eventos.

O mercado de compras tem uma crítica que até eu, quando estou lá, endosso, que é: vamos para os eventos, vê muita coisa parecida, esse cara aqui de novo, as mesmas pessoas. Por ser um setor até pequeno, às vezes, gera essa impressão.

Por outro lado, você está na VTEX, que é a dona do VTEX DAY, o maior e um dos melhores eventos de e-commerce do mundo. Eu vi vários feedbacks da edição deste ano, e quero até ouvir como foi, porque tentamos marcar essa conversa e você estava lá, super ocupado fazendo acontecer. 

Sei que as áreas não são as mesmas, mas para você, que está inserido no contexto de um evento que acaba realmente unindo uma comunidade e os ecossistemas de uma maneira muito forte, o que talvez procurement tenha a aprender com a dinâmica de um evento ou um case como o VTEX DAY? Tem alguma coisa a aprender ou essa comparação aqui minha não faz sentido? 

Herbert

Com certeza temos muito a aprender. Eu estava realmente no VTEX DAY desde quando estávamos tentando achar agenda. O evento deste ano aconteceu nos dias 5 e 6 de junho, em São Paulo, e congregou quase 15 mil pessoas, se eu não estou errado.

Foi gigante mesmo e uma excelente oportunidade para congregarmos profissionais, empresas, fornecedores, parceiros, agências, e clientes, de fato, em um único cenário, ambiente no qual se respira negócios, se respira business.

Foge um pouco do tema sobre palestra, que você tem um palestrante passando slide e tal. Tem parte de palestra, de showroom, partes ativas que você pode puxar um fornecedor e bater um papo e desenvolver um pouco mais o assunto.

É uma situação muito dinâmica, de um ambiente com uma palavra que, dentro da VTEX, usamos bastante, que é ecossistema, e trabalhar nesse ecossistema, porque nós fornecemos, por exemplo, soluções de comércio digital, mas não fazemos de ponta a ponta, e fazemos questão de não fazer.

Fazemos o nosso muito bem feito, e, no nosso core, fazemos um excelente trabalho. Agora, para as outras pontas, dentro da cadeia de valor, temos os parceiros certos. Então, a visão disso, acreditamos que, em conjunto, o tamanho do bolo é maior e tem maior ganho e valor gerado para todas as pontas. Por isso, trabalhamos muito em comunidade, em conjunto. 

Como foi o VTEX DAY e porquê diversificar temas

Esse tipo de evento, como o VTEX DAY, é uma das coisas mais fantásticas, mais incríveis e também de maior risco que teve. 

Nós fizemos, ao vivo no segundo dia, um desfile de modas, um live commerce, não me lembro se eram três ou cinco marcas que passavam roupas e você podia comprar pelo celular as peças que estavam sendo usadas, na hora. Nunca tínhamos feito isso antes, se quer em demo. 

Se expor à vulnerabilidade tem um trabalho gigantesco dos times por trás, das empresas, dos parceiros e que dá certo e deixa isso muito mais dinâmico. 

Me lembro que eu conversava contigo, já em alguns outros fóruns, esse fato que, às vezes, participávamos de alguns eventos em comum. Eu palestro também, apresento alguns casos de sucesso, e quando tenho que fazer isso, tento trazer novidades, porque o nicho de procurement é muito pequeno, e as pessoas sempre veem o mesmo. 

Como já fazemos algumas coisas legais, deixa eu mostrar algumas novas, às vezes RPA, um contrato com a negociação, gestão de mudanças, NPS. Porém, uma das minhas críticas é, geralmente, reciclarem demais os materiais. "Ah, é o mesmo que eu já te mostrei dois anos atrás". "Mas você não tem algo mais recente, mais atual, que consiga gerar valor?" É uma linha muito tênue. 

A necessidade de deixar os eventos mais dinâmicos

Eu sou super a favor dos eventos, participo ativamente e encorajo as pessoas a participarem. Mas uma das coisas que sinto falta, que acho que temos que explorar mais, é fazer um negócio um pouco mais dinâmico, e vocês fizeram um evento que foi realizado no ano passado, acredito, que eu participei também. 

Bate-papo, trocas, traz um convidado, diferentes empresas, diferentes setores. Vamos entender o que um faz bem, o que o outro não faz bem e expor os temas disso. 

Estou começando a ver, cada vez mais em alguns outros eventos, chamar convidados e deixar a conversa fluir como aqui, por exemplo. Temos alguns direcionamentos do que podemos abordar, mas se sair um tema XPTO, não tenho medo de focar nisso. 

Essa vulnerabilidade, no sentido de explorar o que está fora do script, acaba nascendo conteúdo muito relevante e algo que eu gosto.

Uma das coisas que eu cobro nesses eventos é a capacidade de ser surpreendido, de ficar surpreso, de ver algo novo e falar: "Cara, um momento aha!".

Por exemplo, na palestra da Dra. Heloisa Epstein, em um evento que vocês fizeram, vocês foram os primeiros a fazer isso. Se você tivesse comentado antes, teria falado: "Leo, você está viajando! Não tem a menor condição de a Dra. Heloisa palestrar em um evento no Brasil, em um tema que bomba em todos os eventos que vai". 

Ainda bem que tem founders e muitos empreendedores que tem parte de loucura para não ouvir a voz da razão e se jogar no vazio para tentar fazer aquilo que não era esperado e que gera esses "aha moments". É isso que sinto falta e o que foi feito no VTEX DAY, que ninguém estava esperando isso. 

Toma! Está aí e levou uma experiência que marca. E é isso que, às vezes, sou um pouco difícil de impressionar, mas é isso que eu espero. Minha expectativa é sempre alta, fazer o quê?


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Quem é o comprador do futuro?

Leo

Primeiro, obrigado pelas palavras. Várias coisas que você falou foram me marcando. Inicialmente essa ideia que a loucura tem muito a ver com a vulnerabilidade, com tomar risco. Você tem que se arriscar para fazer algo diferente. Então, não tem como a gente achar que vai vir inovação, surpresa se não nos arriscarmos. Fazer uma palestra com tradução simultânea, sei lá como funcionará, nunca tinha tentado fazer. Coloca um tradutor de libras, e vai improvisando muita coisa.

E quando você vê, o Herbert, que é aquele cara exigente, olhou assim para mim e disse: "Isso aqui é diferente!". Para mim é a validação, sabe? Esse é o caminho mesmo. E concordo super com você, que somos muito conservadores, muito tradicionalistas ainda nas pautas de procurement, e isso é um desafio do próprio mercado. 

Você falando do VTEX DAY me deixou até me sentindo mal, até porque não conheço ainda o evento —  cobrarei de você o meu ingresso para a próxima edição, porque não vou perder. Quero que você me garanta. 

Eu poderia conversar aqui mais horas com você, Herbert, mas sei que o seu tempo é curto, e o nosso também está acabando. Conversa maravilhosa assim! Sempre aprendo muito quando falo com você, e sabia que hoje não seria diferente.

Para finalizar, quero que você responda a pergunta que todo convidado do nosso podcast tem que responder:  quem é de verdade, o comprador do futuro

Herbert

Para mim, o comprador do futuro — isso pode depender do que a pessoa, o profissional queira fazer — mas é quem que está sempre se desafiando, porque nossos cenários mudam, nossas empresas mudam, nossas indústrias demandam skills diferentes.

Volto no início, quando falamos de uma pessoa com capacidade de aprender, desaprender e reaprender. O quê? O que for! 

Skill técnico? Aprende! Mas não funciona mais essa ferramenta. Aprende outra. Skill comportamental, vai, aprende, se joga. Como? Tem 50 formas diferentes: autoconhecimento, faz terapia, troca ideia, busca um mentor, busca um coach, desenvolve outras habilidades, N coisas. Uma pessoa que está sempre se reinventando. Isso, para mim, é muito importante. 

A importância de aprender e explorar o novo

No financeiro — e o procurement eu considero dentro desse mundo — as pessoas são muito tradicionais no sentido de "vou fazer um curso técnico de finanças, um MBA gestão empresarial padrãozinho". Cara, legal, fantástico! Tudo isso eu já fiz, adoro. Mas faz um curso de marketing, de inovação. "Ah, mas eu não trabalho com marketing". Bom, mas seu solicitante não é marketing?

Fui fazer um curso nos Estados Unidos, em Ohio, de duas semanas de marketing de inovação. Eu não trabalho com marketing, mas a minha empresa, a VTEX, é uma companhia de comércio digital. Preciso entender esse negócio, ser capaz de falar na linguagem deles, assim como trabalho com tecnologia e preciso aprender algumas questões dessa área. 

Precisamos ser diversos, amplos, aprender, não ter medo de explorar, ser curioso para buscar novas informações. Porém, é preciso saber fazer essa curadoria, porque há muitas, mas é necessário você saber de quem ouvir e ter muito senso crítico.

Algo que trabalho muito no meu time é que eles não confiem em todas as informações que trago. Pelo contrário, peço para que contrastem, peguem a fonte, façam cross check e validem, questionem. 

Isso sai daquela posição de que a informação tem que vir do seu gestor pronta. Vai, se desafia você, corra atrás, seja, uma pessoa adaptável, um comprador adaptável que esteja sempre em beta, sempre se atualizando e que seja capaz de encarar qualquer desafio e se reinventar. 

Para mim, esse é o principal desafio. É assim que enxergo o comprador do futuro e que  espero que esse futuro, quanto antes, já seja o nosso presente, porque é esse tipo de comprador que vou atrás para trazer para o meu time. 

Leo

Adaptação foi a palavra desse podcast. Assino embaixo, meu amigo Herbert. Muito obrigado por sua presença! Se alguém quiser falar contigo, trocar uma ideia, bater um papo, qual é a melhor maneira de te encontrar? 

Herbert

Me procura no LinkedIn. Eu entro em contato com muita gente, marco diferentes conversas ao longo das semanas, é algo que faço ativamente porque é networking e é muito importante como fonte de inovação. 

Então, obrigado, Leo. Obrigado ao time da Linkana. Prazer estar sempre aqui com vocês. Estou ansioso para ver quando a gente se encontra novamente por São Paulo, ou por algum outro lugar. 

Leo

Maravilha, meu amigo. Eu que agradeço sua presença. Sucesso! Pessoal foi mais um podcast, muito obrigado e até a próxima.

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