Como fomentar a diversidade na base de fornecedores de grandes empresas?

O segredo de como fomentar a diversidade na base de fornecedores de grandes empresas é pautado em pilares como discussões em grupo, conscientização e educação das empresas, e comprometimento da alta liderança. 

Essas foram as premissas apontadas no bate-papo entre Leo Cavalcanti, CEO da Linkana, Leonardo Rentroia, Global Supplier ESG Program Manager da Dow, e Umberto Brito, Relacionamentos Institucionais da Integrare Centro de Integração de Negócios, no 4° episódio do podcast Procurement Hero.

A conversa abordou diversidade, os desafios da área de compras e as principais tendências no mundo.

Confira tudo o que aconteceu agora!

Pessoal, sejam muito bem-vindos para mais um episódio do Procurement Hero, podcast  da Linkana em que a gente chama as maiores lideranças, influências e pessoas que estão direcionando o mundo de procurement e compras no Brasil e América Latina.

E a gente tem um episódio bem especial hoje, não com um, mas com dois convidados para falar de um tema megarrelevante. Estamos aqui para falar como fomentar a diversidade na base de fornecedores de grandes empresas. 

Ou seja, a diversidade em compras é um tema megarrelevante e eu vou chamar a galera que está fazendo isso acontecer. Então eu estou aqui com meu xará Leonardo Viana, o Leo Rentroia Viana, né? Então é Leo para um lado, Léo para o outro. Head de compras da Vedacit. Eu estou também com o Umberto Brito, meu amigo da Integrare, que já há alguns anos nos conhecemos.

Mas melhor do que eu falar dessas duas pessoas, eu vou pedir para Leo e para Umberto se apresentarem e contarem um pouquinho da trajetória deles, e gente já seguir aqui para o nosso papo.

Vamos lá, seja muito bem-vindo Umberto!

Muitíssimo obrigado. Um prazer muito grande, Leo, pelo convite. Eu acho que falar sobre diversidade sobre esse tema, é quando nós estamos falando de inclusão, quando falamos sobre cadeia de suprimentos. Então estamos falando de inclusão, estamos falando de igualdade, de oportunidades em negócios. É uma gama de adjetivos que a gente pode atribuir a essa questão da diversidade.

Bem, meu nome é Umberto Brito, eu sou Relacionamentos Institucionais da Integrare, e também é um orgulho muito grande estar nessa instituição. Eu tenho formação na área comercial e também na área financeira. Eu venho há um bom tempo trabalhando na área de procurement de uma grande corporação. 

Parte do meu tempo foi na área de procurement, e na outra eu acabei virando a mesa, acabei indo para o outro lado da mesa, na área comercial, então conhecendo os dois lados. Eu acho que por conta deste conhecimento é que eu fui convidado para vir ao Integrare. 

Estou na Integrare há nove anos, e é muito interessante. Quando me apresentaram a Integrare foi nessa própria empresa que eu venho — não tem nenhum problema de falar, aliás, foi a minha escola, a DuPont do Brasil. Foi aí a minha pós-graduação. 

Quando se fala em diversidade, quando se fala na questão ética, quando se fala em segurança, eu gosto muito de falar sobre esses três pilares. 

Eu vim para a Integra e para ficar dois anos Leo e, acredite, faz nove anos. O tempo passa tão rápido, né, que essa questão de você lidar com esse, que é de um dinamismo muito grande, acaba te deixando assim, por demais com vontade de fazer alguma coisa e continuar fazendo. Então já faz 9 anos.

O Integrare, por sua vez, está fazendo 23 anos este ano, já passou da maioridade, né? E simplesmente pelo apoio de várias empresas é que a Integrare tem todo esse tempo de vida. 

Conta aí, Leo, conta também a sua história!

Bom, vamos lá, meu caro xará. Eu trabalho em compras já há 18 anos, quase 20 anos já de procurement. Eu comecei minha carreira no Submarino, trabalhei na Basf, na Monsanto, na Nestlé, e hoje sou Head de compra aqui da Vedacit. 

E já trabalhando com diversidade em compras, tratando esse tema diretamente, enfim, dentro da área de suprimentos desde 2014, mais ou menos — então já conheço o Umberto de longa data — sempre tentando implementar o processo de diversidade em compras nas empresas que eu passei.

Eu acredito muito que as empresas têm a responsabilidade de devolver para a sociedade onde elas estão inseridas alguma coisa. Acho que uma boa oportunidade é fazendo compras de diversidade. Acho também que a área de compras tem um papel muito relevante nisso. 

Grande parte do dinheiro que a empresa gasta está na área de compras. Então como é que a gente consegue criar um impacto positivo na sociedade e melhorar a reputação da companhia. 

Hoje está muito em moda o termo ESG, como é ser mais responsável. Então compras tem tudo a ver com isso, e compras de diversidade é realmente um tema que eu gosto bastante. Então, prazer, muito obrigado pelo convite aqui para a gente poder falar disso nestes próximos minutos.

Fantástico esse teu comentário porque já me leva ao primeiro questionamento. Acho que você falou aí que ESG acabou virando um buzzword, não é? Está todo mundo falando muito nisso, querendo fazer isso. 

Eu acho que, de uma certa maneira, Umberto, que diversidade também está ganhando essa essa força. Agora falar de diversidade é uma coisa mais popular, é uma coisa que está ganhando mais força. Mas, ao mesmo tempo, diversidade também tem uma conotação diferente do que tinha há 20 anos.

Quando você falava que precisava diversificar a sua base de fornecedores, era uma coisa completamente diferente do tipo de diversidade que se busca quando a gente trata do tema que é o nosso papo aqui agora. 

Então, até para a gente sair um pouco da buzzword, entrar mais na definição, vocês poderiam me ajudar primeiro definindo o que é exatamente diversidade em compras. O que é ter uma compra, ou um procurement que trabalha com a diversidade?

Claro! Sem dúvida nenhuma você comentou um tema bastante interessante, que há um tempo atrás, 10 anos talvez, eu diria até um pouco menos Leo, que falar de diversidade, talvez até 6,7 anos atrás, falar de diversidade em compra, falar de inclusão em compras, era quase assim, ninguém entendia.

Eu comentei que o Integrare tem 23 anos, porque ele iniciou a sua trajetória no Brasil por conta de algumas empresas que já trouxeram essa cultura de fora. 

Porque nos Estados Unidos nós estamos falando de 50 anos que já se fala diversidade em compras, não é? E há quanto isso vem com o Brasil, as principais empresas que apoiaram esses projetos foram as empresas americanas, não é? 

Eu digo aí por várias empresas, a própria IBM, a DuPont. Na época, muito interessante, tinha CEOs de banco, como era o caso do Banco Real, mas vinha com uma cultura de fora, então foram as empresas que apoiaram de fato o projeto. 

E como um todo, falar de diversidade na cadeia de suprimentos era algo assim superestranho. 

Nos últimos seis anos, isso tomou uma forma tão relevante, e as empresas estão fazendo de uma forma tão proativa que, aliás, eu confesso que algumas empresas, inclusive, têm contribuído com o Integrare com novas ideias, e com processo diferente, e que tem contribuído. Aí sim, hoje, eu posso dizer que nós estamos no entendimento mais claro sobre as empresas do que é diversidade em compras.

E eu faço um resumo muito simples quando a gente trata de diversidade em compras, é a que as empresas têm um potencial muito grande de inclusão através da cadeia de suprimentos. A cadeia de suprimentos de uma empresa é gigantesca, e diferente também de um tempo atrás, hoje o processo de compras ele faz muito mais parte de todo um contexto de lucratividade e de uma série de questões do produto do que antigamente.

Antigamente a área de compras era simplesmente uma área de compras. Hoje ela faz parte efetiva do negócio. 

E por conta de fazer parte efetiva do negócio, as pessoas entenderam que você ter uma cadeia de fornecimento com fornecedores diversos, em primeiro lugar, você está valorizando a sociedade. Em segundo lugar, você está criando extremamente uma maior empatia com tudo o que você imagina de consumidores.

Então a diversidade na cadeia de suprimentos é você dar oportunidades iguais a todos os grupos que você pode imaginar. Ou seja, é tratar de uma forma igualitária qualquer empresa, qualquer tipo de fornecedor, principalmente esses minorizados ou minoritários. 

E aí eu falo de pessoas com deficiência, importante citar, ascendente indígena — eu não falo de descendente, falo de ascendente indígena —, eu falo de negros. Então, você olha para esses grupos, que têm uma dificuldade ou, historicamente, uma dificuldade maior de apresentar os seus produtos e serviços para uma grande corporação.

Quando uma empresa consegue olhar de uma forma diferente, e ouvir, e tentar, e testar seus produtos, você está, de fato, contribuindo dentro da cadeia de suprimentos. Isso é diversidade na cadeia de suprimentos, sobre o nosso ponto de vista.

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Fantástico esse seu comentário, Umberto, se eu puder resumir aqui o que você falou, é que boa parte hoje da operação de uma empresa, principalmente uma grande empresa, está ocorrendo fora dela.

Tipo, muitas vezes, até 70, 80 por cento da operação, da cadeia produtiva da empresa, não ocorre dentro dela. 

O que você está dizendo é que esse papel, esse cenário, cria uma responsabilidade muito grande para compras, o que acaba liderando muito das iniciativas e das ações dentro da cadeia produtiva. É de que, cara, você não poder ter uma iniciativa relevante dentro da sua empresa se não pensar em como levar ela para a sua cadeia de suprimentos.

Então, se você está falando do tema diversidade, por exemplo, é que eu acho que Umberto resumiu muito bem para a gente, o que o Umberto está dizendo é você só vai poder tratar o tema diversidade bem se você estiver falando disso dentro da sua empresa, e todo o impacto na cadeia produtiva que está acontecendo nos seus fornecedores está acontecendo dentro dos seus prestadores. 

Talvez seja essa a grande mudança de paradigma. É aquela coisa de você não olhar só para dentro, mas se você precisar, se você realmente quiser ter uma efetividade, precisa olhar para fora, dado esse mundo extremamente descentralizado, globalizado e pulverizado que a gente tem hoje.

Faz sentido isso aí, Leo? Hoje você também enxerga da mesma forma?

Acho que faz todo sentido o que você está falando. Até porque se eu pego a minha realidade atual — hoje trabalhando na empresa Brasileira — a gente tem aproximadamente 700 funcionários. Eu posso fazer o melhor programa de diversidade interno do mundo, mas eu vou atingir 700 pessoas ou 700 famílias. 

Ano passado a gente teve mais de 1000 fornecedores ativos. Eu sei que esse número a gente pegou recentemente com o relatório. Imagina quantas pessoas não trabalham nesses meus fornecedores e quantas famílias são impactadas.

Então, quando eu coloco a diversidade na cadeia de fornecimento, eu acabo impactando muito mais gente, acabo impactando uma parcela muito forte da sociedade.

E apesar de ser um contrassenso dentro de compras — Umberto também já trabalhou muito em compras —, a gente quando vai trabalhar em procurement, assim a gente aprende que o pior medo é o fornecedor falir, o fornecedor não entregar, porque a área de compras acaba trazendo isso, e você sempre negocia para juntar volumes, para consolidar os volumes, para ter menos de fornecedores e menos riscos.

Então quando você fala de diversidade, é um contrassenso, porque eu fico assim, não agora, você vai ter mais fornecedores, vai pulverizar mais, você vai comprar de empresas menores. 

É uma batalha diária que a gente como compras, às vezes até internamente, tem que lutar. Porque não é o pensamento racional e mais lógico quando a gente olha para a área de compras, mas precisa ser feito, porque o impacto realmente é muito maior e muito amplificado quando a gente estabelece um programa desse gênero. 

Cara, isso é muito legal, porque eu acho que gera de fato, a primeira dúvida, de fato legítima dentro desse processo. 

E como é essa conversa, como combater o bom combate, vamos dizer assim. Porque, de fato, você tem um interesse legítimo, que é talvez o grande mote da existência do procurement, você pensar de maneira estratégica, gerar a melhor qualidade, mais saving, é melhores condições dentro da cadeia de fornecimento. 

E você em tese, Umberto, aparentemente chega com um conceito que muita gente vai bater de frente, que são duas coisas que não tem como coexistir.

E aí, como é que se trabalha, como é que você justifica ou como é que você traz essa conscientização para entender-se a importância de uma cadeia de compra diversas quando o comprador já está com aquelas prioridades com a qual ele já está acostumado há 20, 30 anos, e aí chega essa nova ideia. Como é que é esse debate, como é que você traz essa conversa para dentro de uma grande empresa? 

Essa é uma excelente pergunta e eu venho desse mundo, eu venho dessa incrível, que é quando a gente fala sobre isso há 20 anos atrás. 

Eu trabalhei na nacionalização de alguns produtos, e o Leo traz uma história, traz um tema bem interessante, que chega a ser um contrassenso quando você olha para isso e eu vivi isso na pele.

Hoje isso que eu vivi trago nas discussões com esses grupos dessas empresas, né? Aliás, nós tivemos uma reunião recente, foi semana passada, com representantes das associadas, com os líderes de compras das associadas, e esse foi um tema que foi muito debatido, acho que tomou conta da reunião, exatamente isso não é. 

Quando você traz Leo, bom, como é que a gente trata desse tema? Esse tema é bastante complexo. Porque é unindo o que Leonardo trouxe que as empresas têm uma tendência e, por obrigação, e para a maximização de compras, você direcionar para algum grupo pequeno de fornecedores, isso é até para facilitar. E aí a gente vai ter um contrassenso mesmo, quando a gente vai trazer esses fornecedores e diversificar muito a cadeia, trazer fornecedores pequenos, com pouco volume, ou seja, não podendo se comprometer com grandes volumes, então. É um exercício muito grande. 

E como que o Integrare, como nós temos lidado com isso? É justamente dessa forma: você faz reuniões periódicas. 

Hoje nós temos uma agenda com as associadas, fizemos uma agenda para 2022, então com os temas e quem vai participar, e para repetir e falar novamente e falar novamente e buscar soluções para de que forma a gente aproxima esses fornecedores, como que esses fornecedores devem estar preparados também é tecnicamente para essas empresas ter uma segurança. 

Então a única forma que a gente encontra, e a única maneira que eu diria eficaz, é essa discussão em grupo, essa discussão com todas as associadas, porque todas as associadas elas têm, cada uma o seu procedimento, cada um tem seus critérios de aprovação. Principalmente quando se fala em condição de pagamento, que ela é extremamente rígida quando você fala em inclusão de pequeno, ele não tem o seu fluxo para tratar de 120 dias, ou seja lá qual é esse tema de pagamento.

E as empresas, por sua vez, muitas vezes esse plano de pagamento é feito lá fora e não aqui no Brasil, é de forma global. Então de que forma que a gente consegue mitigar isso, de que forma você consegue buscar soluções? Com discussão, Leo, com discussão de buscar alternativas.

Todas as empresas, por exemplo, cada uma falando para outra, o que está fazendo nesse sentido. Eu acho que a gente está conseguindo bastante sucesso nesse sentido. 

Eu trago um exemplo, não vou falar o nome da empresa, mas pelo menos hoje nós já temos três empresas no Brasil que estão criando uma sistemática de pagamento através de um processo, de contribuir, de alguma forma, para a redução dessa forma de pagamento. É trazer para 30 dias, dependendo do valor.

Eu gosto de falar da empresa, hoje não vejo nenhum problema. A Ambev está sendo extremamente interessante nisso, ela está criando processos extremamente enriquecedores para o fornecedor nesse sentido de trazer 30 dias. Enfim, essas discussões têm promovido isso, Léo. 

Leonardo Rentroia

Umberto, se eu puder complementar com um ponto que também eu gosto muito de citar sempre que a gente fala disso, desse engajamento, eu acho que é fundamental a empresa que se propõe a fazer isso tenha um comprometimento da alta liderança para com o tempo, aí as coisas andam. 

Eu vou dar um exemplo da Adal, que publicou o relatório de ESG dela recentemente, sobre o ano passado, e no relatório dela diz o seguinte, que todas as pessoas que têm remuneração variável tem alguma meta de ESG alocada nessa versão de performance. 

E aí, meu caro, ou quando dói no bolso, ou quando o seu chefe está mandando você fazer, as coisas tomam outro patamar, então esse comprometimento da alta liderança é fundamental. 

Uma coisa que eu vi aí, e o Umberto não vai me deixar mentir sozinho, pelo menos, o trabalho de diversidade em compras era muito voluntário. Às vezes, tinha alguém que era entusiasta na área, que gostava do tempo e que trazia, então assim ficava meio que tentando convencer todo mundo que era importante. 

Quando isso deixa de ser voluntário, deixa de ser algo core do negócio, quando a liderança fala, cara, tem que fazer, isso toma outra dimensão. Isso ajuda muito no discurso e no convencimento porque o indivíduo comprador, ele pode até não concordar, mas é uma meta da área, é uma meta da empresa, ele vai precisar. 

Então eu acho que esse comprometimento da alta liderança faz toda a diferença quando a gente quer implementar um programa desses com sucesso.

Umberto Brito

Nossa, você foi muito feliz nessa abordagem que você trouxe. A gente fala que antigamente você faria parte do décimo quarto salário, alguma coisa assim. Enfim, eu tinha algumas metas. E uma das metas era a redução de fornecedores, direcionamento para fornecedores, grandes fornecedores, olha, é só o contrassenso, e aí voltando para o que você comentou lá atrás. 

E o que mais? Savings. A pessoa ia tratar exclusivamente do que era a meta, e você trouxe uma coisa super-rica. Hoje, a inclusão de fornecedores da adversidade também faz parte da meta desses compradores. 

Então ele deixou de ser simples, é meta da empresa. Você trouxe uma coisa riquíssima, Leo.

Na verdade eu acho que os dois trouxeram duas premissas muito importantes. O Umberto falou muito da importância de você conscientizar, de você liderar o discurso e a educação da importância de trazer a diversidade para sua cadeia, considerando aqueles pontos que a gente falou, não é Umberto. Poxa, é onde boa parte da sua operação está acontecendo, então você não vai conseguir fomentar a diversidade sem olhar para isso. E Leo falou sobre como você faz isso acontecer. Olha, beleza, por estar todo mundo convencido, mas se não houver, comitê da nossa alta liderança e melhor do que isso, não é Leo, você não só ter o comitê mais você transformar isso em objetivos de negócio, fazer parte do objetivo de negócio, a pessoa se sentir que aquilo ali é uma coisa que vai ser cobrada no final do ano, que ela vai ser recompensada por ter feito no final do ano, ou não vai ser caso ela não tenha feito, é fundamental para esse ecossistema todo funcionar e acontecer.

E daí vem a minha principal provocação ou pergunta para vocês. Essa chave já virou? Isso, de fato, já está acontecendo? Essa prioridade em grandes empresas no Brasil já é uma realidade, Leo? Você tem aí uma série de grandes marcas aí na sua, na sua jornada. Você já está vendo que essa chave virou?

Rapaz, eu digo com muita felicidade, e eu acho que está virando. Eu comecei a trabalhar com a Integrare em 2014, foi quando a gente se conheceu, eu e o Umberto, então a gente tem uma longa história.

No Brasil, a gente teve outras organizações chegando, tem o WE Connect, que é americana, que se dedica a empresas de mulheres. Tem a Rede Mulher Empreendedora também faz um trabalho muito bacana. 

Então assim, aumentou-se o número de instituições que têm fomentado isso. Mas é uma coisa que tem me deixado feliz, que é puxado muito por essa agenda de ESG, é que antigamente você via sempre os mesmos caras falando disso, que a IBM, o DuPont, a Johnson & Johnson, que geralmente é empresas norte-americanas, o Umberto comentou dos 50 anos.

Eu participei de uma rodada de negócios da RME esses dias, da Rede Mulher Empreendedora, e eu vi carinhas diferentes lá. Empresas brasileiras, o Humberto mesmo citou Ambev que, apesar de uma empresa global, é uma empresa brasileira. 

Eu tenho visto, ainda tímido, acho que o Umberto pode falar melhor do que eu, mas empresas como a Vedacit, por exemplo, tem uma abertura para diálogo muito grande. 

Então são empresas genuinamente brasileiras, que estão começando a olhar para esse tema com um pouco mais de carinho. Eu acho que essa pode ser a grande virada de chave da gente deixar isso mais comum, vamos dizer assim, dentro das empresas.

Mas acho que o Umberto pode até falar melhor de quem está procurando ele, se ainda está no mesmo clube de Adal, DuPont e IBM, ou se já tem gente nova na área. 

Umberto Brito

Gente, eu diria para vocês que eu estou extremamente orgulhoso. Eu gostei também dessa palavra, Leo, dessa virada de chave. Acho que não tem uma outra expressão para significar melhor esse momento. Eu até vou usar essa palavra mesmo: houve uma virada de chave de uma forma expressiva, recentemente?

Quando iniciou a pandemia nós ficamos extremamente preocupados porque eu falei, bom, agora, como é que a gente vai fazer aproximação, de que jeito a gente vai fazer isso. Foi bastante interessante. Acreditem, no último um ano e meio, dentro da pandemia, a quantidade de empresas que nos procuraram, e até por indicação e por ouvir outras empresas e saber do programa, foi uma coisa impressionante. 

Nos últimos 8, 9 meses, por exemplo, nós recebemos pelo menos, assinamos com pelo menos mais quatro, cinco novas empresas. Aí vem a Ambev, aí vem a própria Embraer. E aí você fala da Embraer, ela vem com uma força gigantesca, movimentando a base. A Air Next Yang. 

Então eu diria que nesses últimos tempos houve uma virada de chave expressiva nas empresas que estão acreditando mesmo nesta questão de inclusão. E elas vêm com uma outra proposta, elas vêm, na verdade, com esse questionamento do impacto. Qual é o impacto efetivo dessas empresas?

Estamos falando, por exemplo, de querer entender os números, essas metas e esses indicadores, de número de funcionários. Eu diria que nesses últimos anos, houve um crescimento expressivo de empresas e de pessoas querendo fazer alguma coisa e querendo fazer diferente para incluir de fato.

Leonardo Rentroia

Esse último ponto é bem novo, Umberto. Isso é porque em 2019 eu fiz um trabalho acadêmico sobre o tema, e entrevistei algumas empresas que estão dispostas a contratar. 100% da minha amostra entrevistada eram de empresas norte-americanas, não tinha nenhuma brasileira, não tinha nenhuma europeia, era só americana. 

Não vou falar quais são porque como é um trabalho acadêmico é anônimo, mas todas eram norte-americanas. 

Então eu falo que, se eu fosse fazer entrevista hoje — eu fiz em meados de 2019, segundo semestre — um ano e meio depois eu provavelmente falaria com a Embraer, provavelmente falaria com a Ambev, para até ter um ponto de vista diferente, para isso ter acontecido rápido e recente. 

Umberto Brito

Sim, aliás, eu li sua matéria. 

Leonardo Rentroia

Muito obrigado, viu? 

Também li, está bem legal pessoal, vale a pena, depois vou compartilhar o link com vocês também, para vocês terem acesso a um trabalho bem bacana do Léo. E é fantástico esse contexto que Umberto e o Leo estão trazendo porque a gente vai evoluindo.

A gente fala do cenário de conscientização, a gente agora chega para o cenário, de beleza, como é que eu faço isso acontecer, tem que ter complemento da liderança, tem que se tornar objetivo de negócio. E a gente começa a ver o que o Umberto falou, uma força muito grande porque essas empresas não chegam com cadeia de fornecimento pequenas ou marcas pouco impactantes. Estamos falando dos maiores spendings, das maiores cadeias de fornecimento do país.

Mas mesmo diante de tudo isso, Umberto, aí eu trago um pouco para o meu cenário — eu estou aqui no mundo da tecnologia e dos dados —  às vezes, os problemas são muito básicos. E vocês, inclusive, estão aí para resolver os mais básicos, do tipo “beleza, legal, eu quero fomentar a diversidade”.  Ele faz aquela pergunta mais simples de todas, qual é o percentual da minha base de fornecedores hoje que é diversa? Quantos são e quem são. E é aquela coisa talvez da notícia triste por um lado, mas oportunidade do outro, é que nem essa informação às vezes é tão clara, ou pior, às vezes demora muito tempo para primeiro ter esse mapeamento, para depois você conseguir dizer não, então agora eu consegui descobri que é 2% e eu queria que fosse 5%.

Mas primeiro você precisa saber quem são, precisa saber quem é. E aí eu acho que até Integrare entra exatamente como parceiro facilitador dessa jornada, e eu acho que é nesse cenário que agora que eu queria ouvir vocês, pessoal. 

Então, beleza, temos as premissas, temos a conscientização, temos uma meta de negócios, temos o comprometimento. Mas, às vezes, falar se comprometer não é a parte difícil, é a execução, a gente começar a realmente ter que “botar a mão na massa”, e eu queria que você falasse: quais são as principais dificuldades? Quais são os principais desafios, uma vez que realmente você já quer, tem a força, tem o dinheiro, tem um tempo para colocar isso e transformar isso em realidade. 

Umberto Brito

Eu acho que é uma excelente abordagem. Eu queria pedir a sua permissão, Leo, só para voltar um pouquinho ainda no tema anterior, sobre essa virada de chave, eu gostei muito dessa questão. 

Quando a gente fala desse novo modelo, vocês acreditam que no passado era assim, tudo muito restrito No Brasil, a gente tem várias entidades, tem instituições que tratam do tema. Essas entidades, inclusive, eu falo o próprio Integrare, o WE Connect, falo da Câmara de Comércio LGBT que, aliás, vem fazendo um trabalho esplêndido nessa área de inclusão, estão também certificando empresas.

E uma outra virada de chave que as organizações como um todo elas entenderam que não existe concorrência quando você fala em inclusão. Essa essa virada de chave, que para mim é fantástica, já desde o ano passado a gente tem feito trabalhos, por exemplo, de reunião, de conscientização, de valorizar esse tema junto com todo mundo. 

Então algumas empresas estão promovendo isso. Tem um acontecendo agora, semana que vem é em que estarão presentes o Integrare, o WE Connect, e mais de uma outra organização, juntos. 

O ano passado fizemos uma também muito, fizemos duas muito importante, também o WE Connect, o Integrare, a Câmara de Comércio LGBT, então essa foi uma outra virada de chave que as organizações estão entendendo que, na verdade, essa inclusão e de todo mundo participando, e quando você tem é simples, união faz a força. E a união traz mais ideias de iniciativas. Então, só um comentário complementar que eu achei que cabia bem neste momento. 

E coube muito bem, porque a gente, no final das contas, está falando de informações e de dados. Essas empresas estão precisando saber quem são essas empresas de diversas, como eu chego nelas. E vocês, como organizações que estão liderando as iniciativas nesse ecossistema, vocês são talvez os principais atalhos para essas informações chegarem, para elas chegarem de maneira mais rápida, de maneira mais acelerada. 

Então eu acho que tem tudo a ver, porque se a gente fala de dificuldades e problemas em instituições como Integrare e WE Connect que vêm para resolver esses problemas, vêm para tirar essa essa nebulosidade, trazer um pouco mais de “não é isso, é esse caminho”, “dá pra fazer é por aqui”. 

Leonardo Rentroia

Leo, até um comentário sobre isso, dessa dificuldade, tem empresas que fazem censo dos fornecedores da base atual (deixa eu entender quem são), que era uma coisa até um pouco polêmica alguns anos atrás, hoje em dia já é muito mais aceito você fazer esse tipo de pergunta para fornecedor. Esse já mapeia na sua base, ás vezes você tem até uma grata surpresa, mas no fundo, no fundo, acho que quando você se associa a Integrare, por exemplo, você quer fomentar novos negócios. Também não adianta eu descobrir que o meu maior fornecedor é uma mulher — você não está fomentando, mas está descobrindo sua base. 

Então acho que esse é um esforço que tem sido feito, de censo, tem sido comum, e eu posso falar também, porque público, porque se você tentar se cadastrar na IBM, por exemplo, hoje essa pergunta está no formulário de cadastro fornecedor. Toda vez que entra um novo fornecedor, para não precisar fazer um censo daqui a cinco, sei lá quantos anos, é uma pergunta básica do formulário de cadastro. Isso tem sido cada vez mais comum, e é bom ver que o tema está sendo discutido amplamente, que as pessoas vão se acostumando com ele também, e causa menos estranheza você olhar um formulário e falar mas por que tão querendo saber minha origem ou uma orientação sexual? 

Não é para fazer mais ou menos negócio, é para entender o ecossistema onde está inserido. 

Umberto Brito

Fantástico o comentário, e contribuindo também nesse comentário, Leo, essa é uma pergunta bastante que as empresas não sabem efetivamente o que tem na base, né? E é bem interessante que hoje, para uma empresa se tornar associado, ou seja, quando uma empresa se torna associada da Integrare, a primeira coisa que nós fazemos é um cross-checking entre os fornecedores credenciados Integrare, com os fornecedores da empresa, até para identificar se ele já tem alguma coisa. 

Então você tem toda razão. Esse é um esforço muito grande que as empresas vêm fazendo, para identificar, para saber exatamente o que elas têm na base. Hoje já é um esforço comum, e tem algumas empresas que já fazem isso há muitos anos, que já têm dentro do seu cadastro essa pergunta. Mas hoje realmente tem algumas empresas colocando em seu cadastro essa identificação. 

Agora é muito importante que essa é uma pergunta também extremamente difícil. É uma área de comunicação dessas grandes corporações que têm uma preocupação muito grande de como levar essa pergunta, de como tratar esse tema, de saber exatamente como é o fornecedor. Algumas perguntas eles têm alguma preocupação.

Então, o que essas grandes empresas estão fazendo antes de colocar isso dentro do seu questionário para entrar, elas fazem uma reunião, fazem uma live, com todos os seus fornecedores. Recentemente nós tivemos uma que teve 200 empresas participando, de uma das empresas associadas. Eles contam tudo o que eles estão fazendo na área é de diversidade, para poder dar sustentabilidade, dar legitimidade no questionário das empresas que vão entrar.

É uma forma que as empresas identificaram para poder contar exatamente o que, contar o propósito, eu acho que isso está funcionando muito bem. 

Sem conscientização, às vezes pode até ser encarado de uma maneira negativa, não é Umberto? Será que ficou perguntando para me discriminar? Se eu colocar isso vai ser ruim para mim? Imagina o efeito! É o inverso daquela intenção: a empresa quer fomentar, mas não foi aquela coisa bem explicada, não foi bem alinhada, a pessoa não estava acostumada a lidar com isso, que é muitas vezes a pessoa já sentiu a discriminação na pele por ter passado por isso e fala “Putz, se ele souber disso, aí que eu não vou conseguir fazer o negócio mesmo”. 

E talvez daí venha a parte mais relevante dessa história toda. A gente tá falando muito da visão de quem compra, mas muitas das dificuldades, ou talvez a maioria delas, está do lado de quem vende, do fornecedor diversos que está querendo fomentar o seu negócio, que está querendo crescer.

Eu acho que esses desafios precisam ser muito acompanhados. Foi o que o Umberto falou, “Poxa, vamos puxar a galera para junto, não é?” Eu imagino que tenham bem mais desafios também, não é, Leo, o que não falta é desafio para esse pessoal, quando a gente tenta se colocar na situação, ou no sapato que eles estão causando“. 

Leonardo Rentroia

Não, sem dúvida. O que eu sempre comento quando vou conversar com fornecedores de diversidade, não só de diversidade, quando a gente fala de grupos minorizados, mas eu gosto muito de falar de empresas pequenas. Eu acho que é um caminho para o futuro a gente começar a falar “Olha, quero comprar de empresas que faturem até R$ 5 milhões no ano, sei lá. Porque você começa a fomentar negócio com o negócio pequeno.

O que eu sempre falo para eles é a primeira pergunta que eu faço é: você já trabalhou com grandes empresas? Que eu vou te contar uma coisa, a chance da gente atrasar o seu pagamento é grande, e não é por sacanagem, não é porque a gente vai atrasar. Porque assim, são muitos processos, são milhares de notas — óbvio, a Lei de Murphy, a gente atrasa, sei lá, meio por cento do que a gente paga no mês inteiro, enfim —. Mas acontece que é um fluxo que não tá legal, os prazos de pagamento, geralmente com empresas grandes, são alongados. Então eu normalmente tenho esse cuidado de conversar com as empresas menores de que trabalhar com uma empresa grande tem todo o seu tempo, as coisas não são tão rápidas.

Quando você fala de uma multinacional, às vezes depende de alinhamentos externos, fora do Brasil, para tirar um pouco dessa ansiedade de todo o processo. Até porque essas empresas minorizadas, muitas vezes, se associam ao Integrare e eles acham que a partir da semana seguinte vão começar a chegar pedidos, e não é bem assim que acontece. 

Então esse é um papel muito legal que a Integrare faz, que as outras entidades fazem, que é de alinhar as expectativas com todo mundo. Não é porque a empresa grande se associou, que ela resolveu o problema dela de compra de diversidade. E não é porque a empresa é menor, se associou que ela vai começar a vender loucamente a partir da semana que vem. 

Então esse papel de balizar as expectativas é um negócio muito importante, que tem que ser muito bem alinhado e que essas organizações de fomento que tem feito bastante bem. 

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E se eu puder fazer um fechamento do que vocês dois falaram, acho que a gente acaba fazendo um ciclo. Acho que o Umberto começou falando da conscientização para que haja o comprometimento da liderança. Nesse comprometimento a gente cria os objetivos de negócio. Daí a gente parte para execução. 

Quais são os dados, as informações. Só que aí, Umberto, a gente volta para a conscientização de novo, porque mesmo com tudo acontecendo já do lado e a conscientização tendo ocorrido dentro da grande empresa, ela vai precisar alinhar muito bem o discurso, as expectativas, a intenção daquilo com a base de fornecedores dela. 

Então não começa conscientizado, bota para rodar, se associa, credencia e milagrosamente as coisas começam a acontecer. Você tem que cumprir de novo, conscientizar, replicar, inteirar, melhorar a execução e fazer esse ciclo virtuoso. Até de fato, você dizer não, agora eu sei quem são meus fornecedores diversos, eu já tenho uma meta que eu estou conseguindo ali subir x por cento, eu estou conseguindo fomentar aqui o que está acontecendo na minha comunidade, e aí gerando um impacto que eu acho que é o principal objetivo quando gente fala disso.

Esse tema surgiu com o objetivo de gerar impacto: eu quero fomentar a diversidade para dar mais uma oportunidade. Aqui a gente está falando de igualdade, aqui a gente está falando de resolver uma série de problemas, de desigualdades injustas que então aí, enraizadas na nossa sociedade há muito tempo.

Então eu encerraria, ou tentaria resumir isso que vocês falaram nesse ciclo virtuoso, que começa na conscientização, mas termina ou recomeça na conscientização de novo, se eu puder colocar dessa forma. 

Umberto Brito

Está perfeito, gostei disso e o ciclo é contínuo. 

Exatamente, pessoal aqui para encerrar, meus queridos, aqui a gente sempre usa no nosso encerramento, a gente tenta beber das fontes. Então quando a gente fala de fontes, a gente está falando de conhecimento, está falando de pessoas. 

Então Leo e Umberto, se vocês pudessem indicar uma pessoa, uma referência profissional, um pessoal bacana que vocês têm nessa trajetória, seja, enquanto pessoa mesmo, enquanto ser humano ou como profissional, um livro legal ou uma referência de leitura. Pode ser uma newsletter, pode ser um artigo. O Leo já deu a dele, não é? Aqui já fez o merchan dele.

Leonardo Rentroia

Se ler o meu artigo eu fico feliz. Até para começar, tem um livro que eu queria indicar, depois dou a palavra para o Umberto, ele chama “Diversos, somos todos”, do Reinaldo Bulgarelli. Fala muito bem sobre conceito de diversidade, como as coisas funcionam. É um livro bem esclarecedor. Não é um livro muito novo, não sei nem se tem edição nova para a venda, mas você consegue encontrar na internet, aí é muito bacana. 

Umberto Brito

Não vale, não vale cópia, não vale não. Porque é interessante, e eu vou falar porque não vale cópia. Mais do que livro, eu gosto de falar das pessoas. E assim, o que me inspira, o que me inspirou até então.

Você sempre procura por pessoas ou livros, enfim, artigos que você se identifica e também que vem a somar na atividade que você faz. Eu trago algumas pessoas. E o Reinaldo Bulgarelli é uma das pessoas que me inspira.

Ele é o nosso parceiro, a gente está constantemente juntos, e ele tem um esclarecimento para falar dessa diversidade muito ampla e pronto, o livro dele é muito interessante. 

E eu trago uma pessoa também a mais, Adriana Barbosa, da Feira Preta. É uma outra pessoa que me inspira muito, uma menina extremamente jovem. Ela é responsável, é por um empreendedorismo e por trazer essa questão do empreendedorismo de pessoas negras. Através da Feira Preta, ela é uma inspiração muito grande.

Agora, recentemente, eu falo de uma pessoa, é da Conta Black, uma fintech que acabou de chegar. Essa Conta Black foi fundada aí e vem trabalhando por um rapaz muito inteligente, que é o Sérgio All. Essa fintech é uma pioneira de representante de um negro, e ele traz critérios, ele traz um jeito de administrar a Conta Black direcionada também para pessoas, para empreendedores negros e esses empreendedores, facilitando a entrada. 

Acabamos fazendo uma parceria e hoje o Integrare tem uma Conta Black que a gente está administrando alguns dos nossos recursos. A gente administra por lá. 

Então eu diria que essas são as minhas três referências como pessoas, Leo. 

Leonardo Rentroia

É só para a última pessoa também, que eu sigo bastante, sempre gosto muito dos contos que eles publicam é a Ana Fontes, da Rede Mulher Empreendedora, também sempre apoiando muito o empreendedorismo feminino. Foi o tema do meu estudo acadêmico, inclusive. Eles suportaram bastante a gente nas conversas. É uma pessoa que tem um esclarecimento muito legal, então tudo que ela publica, eu recomendo que vocês vejam. 

Vocês não deixaram a desejar na diversidade das indicações também, meus amigos. Acho que o livro é que vocês já não foram muito diversos, mas a indicação de pessoas eu acho que o que mais importa, não é? 

Acho que livros, conhecimento e ideias vem sempre no limite de pessoas. Então todas as referências de pessoal, tanto do Reinaldo Bulgarelli, quanto da Adriana Barbosa. Ana Fontes, do Sérgio lá do Conta Black.

Inclusive, eu acho que vale citar o trabalho massa que o pessoal do Google tem feito, porque o Conta Black é uma das empresas investidas pelo Black Founders Fund, do Google, que tem fomentado o empreendedorismo negro no mundo tão é pouco diverso de startups de tecnologia. 

A gente também tem que ter essa conscientização e valorizar as boas iniciativas. Eu acho que essa do Google é fantástica. A gente é startup, já foi residente do Google, e esse é um tema que eles batem nessa tecla há bastante tempo. E o pessoal da Conta Black é quando o Umberto falou, eu me lembrei que eles são uma dessas startups investidas e já está inserida nesse ecossistema.

Pessoal, ficamos por aqui. Agradecer demais, Leo, Umberto, foi um papo muito legal, foi um papo fantástico. Falar sobre temas como esse sempre dão aquela motivação maior de estar inserido nesse mercado.

E a gente como fornecedor, no final das contas, é enquanto Linkana aqui, e poder ajudar a resolver esse problema, que é quando vem esse tipo de pergunta: quem são, como eu fomento, como consigo esses dados, alguém vai ter que dar essa resposta. 

Então eu acho que é um trabalho a 4, 8,16, 20 mãos que a gente vai construindo.

Meus amigos, é isso. Forte abraço pessoal e até o próximo episódio do nosso Procurement Hero. 

Como vocês sabem, estamos aqui falando de tendências e inovações, com as maiores referências e lideranças do cenário de procurement do Brasil e América Latina. 

Até a próxima!

Leo Cavalcanti

Leo Cavalcanti

Advogado, especialista em Planejamento Tributário e Finanças, soma mais de 05 anos de experiência com rotinas de auditoria empresarial e tributária, além de conhecimento em controladoria e práticas de departamento jurídico corporativo. Atualmente é CEO e um dos co-fundadores da Linkana.

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