Resultados ESG: quais são os riscos de tentar manipular esses dados?

Os resultados ESG de uma empresa, ou seja, quais foram os reflexos das práticas adotadas com foco em Environmental, Social and Governance (Meio Ambiente, Social e Governança) afetam diretamente o crescimento da companhia.

Um dos motivos é que os “negócios verdes”, como costumam ser chamadas as organizações que adotam e executam políticas ESG, se tornam mais atrativos para investidores.

As startups ESG, por exemplo, já receberam mais de US$ 991 milhões em investimento nos últimos 10 anos, de acordo com dados da Distrito, divulgados em uma matéria do site Exame Invest.

O levantamento EY Global Institutional Investor Survey, citado em uma publicação da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial, revelou que o foco das companhias em práticas ambientais, sociais e de governança impactam a decisão dos investidores. Tanto é, que 90% dos entrevistados afirmaram que analisam os resultados ESG antes de considerarem investir na empresa.

E não podemos deixar de citar também a percepção do público. Por exemplo, uma pesquisa da Confederação Nacional da Indústria, chamada “Retratos da Sociedade Brasileira — Perfil do Consumidor Consciente”, destacou que 38% dos brasileiros buscam descobrir se o produto que pretendem comprar foi produzido de forma ecologicamente certa. 

Ou seja, isso afeta a sua decisão de compra, impactando diretamente no volume de vendas e no faturamento da marca.

A fim de atrair investidores e consumidores é que alguns gestores consideram manipular os resultados ESG dos seus negócios. 

É certo que esse é um comportamento que afeta seriamente a imagem da empresa. Mas quais seriam esses impactos negativos? Que tipos de indicadores ESG costumam ser adulterados? Confira essas respostas agora, neste artigo!

Quais são as formas de manipulação de resultados ESG?

Existem diversas formas de manipular resultados ESG. Na prática, a ideia é passar a imagem que a companhia zela por questões ambientais, sociais e de governança, ainda que não faça isso verdadeiramente.

Basicamente, consiste em apresentar números sobre algo que não são reais. Nesse cenário, os tipos de alterações que costumam ser feitos em relatórios de Environmental, Social and Governance são:

  • greenwashing
  • pinkwashing
  • socialwashing

Greenwashing

Traduzindo literalmente o termo greenwashing para o português, temos a expressão “lavagem verde”. Essa forma de alteração de resultados ESG consiste em modificar e/ou omitir quais foram os reais impactos que as atividades da empresa geraram no meio ambiente.

Um dos objetivos é, por exemplo, convencer público-alvo e potenciais investidores que a marca é “amiga da natureza”, e que a fabricação dos seus produtos ou entrega dos seus serviços não afetam, ou afetam minimamente, o ecossistema.

Pinkwashing

Seguindo a mesma linha de tradução, pinkwashing, no nosso idioma, significa “lavagem rosa”. O termo é utilizado para definir a atuação de empresas que defendem a causa LGBTQIA+ apenas quando convém, ou quando gera lucros.

Por exemplo, no mês do orgulho LGBTQIA+ (junho), essas companhias criam ações de marketing, produtos, serviços e soluções voltadas para essa comunidade. O mesmo fazem internamente, valorizando os profissionais desse grupo e os destacando.

No entanto, tão logo esse período acaba, as ações são descontinuadas, visto que não fazem parte, verdadeiramente, da cultura do negócio.

Socialwashing

Por socialwashing, ou “lavagem social”, entende-se um comportamento filantrópico inexistente, destacado em ações de marketing.

Mais uma vez, a ideia por trás dessa atitude é passar uma boa imagem e, principalmente, aumentar o faturamento. Para isso, as empresas que praticam esse ato se valem de campanhas e causas sociais apenas durante o período que for interessante para os negócios.

Alguns bons exemplos são os meses voltados para programas de saúde, como o Outubro Rosa e o Novembro Azul, nos quais, assim como no pinkwashing, a marca se posiciona apenas durante essa época.

esg

Por que não se deve manipular resultados ESG?

As práticas de ESG devem ser levadas a sério, afinal, elas representam o comprometimento da empresa com a natureza e com as pessoas. A ideia é que os processos da companhia gerem o menor impacto que for possível nesses ecossistemas, ao mesmo tempo em que colabore para que o seu crescimento seja mais sustentável.

Dito isso, fica bastante evidente as razões pelas quais não se deve manipular os resultados alcançados com as práticas Environmental, Social and Governance.

Em um primeiro momento, pode até ser que a organização realmente consiga conquistar público e novos investidores. No entanto, ao não sustentar o que foi apresentado, a tendência é que ela seja “desmascarada”, o que acaba levando a sérias consequências, tais como:

  • desgaste e comprometimento da imagem da marca, por vezes, em um grau irreversível;
  • potencial perda de público e, por consequência, de faturamento, visto que as chances de os consumidores pararem de comprar da empresa são elevadas;
  • alta probabilidade de perder investidores e/ou de não conquistar novos;
  • em um mercado B2B, as chances de fechar boas parcerias também tendem a diminuir, decorrente do comprometimento da credibilidade da companhia.

ESG no mercado B2B

Para exemplificar melhor esse último ponto, tomaremos como base uma gestão de fornecedores eficiente, a qual visa, entre outros objetivos, encontrar parceiros confiáveis e qualificados para garantir o fluxo do negócio. 

Uma das premissas quanto a isso é identificar um terceiro com real capacidade de suprir as demandas de abastecimento da empresa, a fim de evitar que os processos sejam comprometidos, a exemplo da não obtenção de matéria-prima para fabricação de produtos, entre outros.

Trazendo essa definição para o conceito ESG, quando um fornecedor apresenta dados irreais do seu posicionamento e a empresa contratante não os identifica, isso pode afetar também a sua imagem.

Em outras palavras, é como se quem está contratando fosse conivente com essas ações de manipulação, o que pode gerar para o negócio as mesmas consequências negativas de quem manipulou os resultados.

Por isso, boas práticas de ESG devem ser implementadas não apenas visando conquistar consumidores e potenciais investidores, mas também parceiros de negócio que podem ser muito importantes para a jornada da sua empresa.

Este artigo foi escrito pela Movile, empresa que realiza investimentos de longo prazo em empresas de tecnologia na América Latina e visa ser a maior ‘thesis maker’ da região. 

Por meio de sua expertise em cultura, estratégia, M&A, finanças e gestão, apoia companhias como Afterverse, a55, iFood, MovilePay, PlayKids, Sympla, Sinch, Zoop, Mensajeros Urbanos e Moova. 

A Movile conta com o seu portal de conteúdo proprietário, o Movile Orbit, no qual compartilha conhecimento de seus especialistas sobre os temas mais relevantes do mundo dos negócios.

Leo Cavalcanti

Leo Cavalcanti

Advogado, especialista em Planejamento Tributário e Finanças, soma mais de 05 anos de experiência com rotinas de auditoria empresarial e tributária, além de conhecimento em controladoria e práticas de departamento jurídico corporativo. Atualmente é CEO e um dos co-fundadores da Linkana.

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