Conheça os 5 principais modelos de governança corporativa do mercado

Responsável por garantir que um conjunto de boas práticas seja aplicado e seguido dentro da empresa para não prejudicar nenhuma das partes do negócio, a governança corporativa vem se tornando uma necessidade cada vez maior nas empresas.

Esse novo sistema, que incentiva as empresas a ter uma rotina de trabalho baseada em transparência, segurança e eficiência já ganhou espaço em diversos continentes, que o adaptaram para diferentes modelos de acordo com as respectivas realidades. 

Continue a leitura para saber quais são os principais modelos e os benefícios em cada uma das abordagens disponíveis atualmente.

O que é governança corporativa e por que existem diferentes modelos?

Vamos começar reforçando brevemente o papel da governança corporativa em uma empresa? Os modelos de governança corporativa podem ser resumidos como diferentes conjuntos de processos que possuem como principal objetivo implementar a cultura do negócio na rotina dos colaboradores para melhorar a qualidade da gestão empresarial.

Com quatro princípios – transparência, equidade, prestação de contas e responsabilidade corporativa – a governança corporativa pode impactar desde políticas e costumes usados na sua empresa até mesmo fornecedores, clientes, bancos e a comunidade em geral.

Por isso, é de extrema importância evitar falhas na governança corporativa, ter uma boa relação com essa rede de pessoas e garantir que quem está ao seu lado possui os mesmos interesses e objetivos para crescer juntos.

No caso dos terceiros, por exemplo, isso representa uma relação com fornecedores sustentáveis, responsáveis e seguros, que não prejudiquem a reputação da sua empresa. 

Por meio de plataformas como a Linkana, é possível evitar erros e fraudes na homologação de fornecedores através de consultas públicas e emissão de certidões corporativas, melhorando o relacionamento com parceiros. 

Ademais, o monitoramento de fornecedores e Compliance permanente com o auxílio de robôs permite mitigar riscos e tornar o processo mais eficaz.

Quais são os principais modelos de governança corporativa?

Modelo anglo-saxão (ou anglo-americano)

Vamos começar por um dos modelos mais conhecidos, que ganha seu nome por ser utilizado em empresas no Reino Unido e nos Estados Unidos. Nesse modelo de governança corporativa, em que se busca uma separação entre a propriedade e a ação em si, os acionistas atuam de forma separada dos gestores dentro da empresa.

Esse modelo, assim como a “doutrina Friedman”, tem como seu principal propósito a geração de lucros para os acionistas.

As empresas que utilizam esse modelo trabalham com o argumento principal de que os gestores não são experientes o suficiente para encontrar um equilíbrio entre os objetivos financeiros e sociais enquanto os acionistas buscam maximizar os lucros, que beneficiará a empresa como um todo.

Portanto, os acionistas não participam das decisões diárias da companhia, mas fazem parte do conselho de administração para proteger o patrimônio dos acionistas minoritários. Ou seja, as grandes decisões são feitas com os votos deles.

E para conseguir funcionar com sucesso, esse modelo de governança corporativa pede uma comunicação de excelência entre acionistas (shareholders), administração (gestão) e conselho (board). 

Modelo japonês

Enquanto no modelo anglo-saxão os acionistas não estão envolvidos nas decisões diárias da organização, no sistema japonês eles também fazem parte da rotina de trabalho

Por emergirem na vivência da empresa, eles são os tomadores de decisões do grupo e buscam potencializar o retorno para os que estão inclusos na organização, como consumidores, fornecedores, funcionários, governo e outros.

Sistema que mais se aproxima do modelo de governança brasileiro e comumente usado em empresas familiares, ele trabalha com uma característica única chamada keiretsu. Esse termo japonês representa um grupo de empresas, financeiras ou não, com interesses em comum.

Na maioria das vezes, esse sistema tem um banco principal, que fornece empréstimos e serviços financeiros como serviços de consultoria, emissões de títulos e de ações. Já na possibilidade dos lucros da empresa caírem por um grande período de tempo, o banco e outros membros do keiretsu podem retirar gestores e indicar próprios candidatos para o conselho.

Para as empresas que acreditam que esse é o modelo ideal de governança, as principais adaptações na governança corporativa devem ser:

  • Olhar para os acionistas como gestores;
  • Ter um conselho administrativo composto por stakeholders;
  • Bancos detêm participações de longo prazo em companhias;
  • Bancos e empresas afiliadas possuem grande participação acionária;
  • Processos voltados para o apoio e promoção do keiretsu.

Modelo alemão

Esse modelo possui alguns elementos similares ao sistema japonês, como as participações de longo prazo dos bancos nas empresas e a atuação de seus representantes nos conselhos administrativos.

Entretanto, nesse cenário, a representação dos bancos nos conselhos é constante, ao invés de apenas acontecer em situações de dificuldades financeiras.

Já o conselho em si é diferente dos outros, por se desmembrar em dois conselhos com membros separados.

Enquanto o conselho de gestão é chefiado pelo CEO e busca o consenso entre a diretoria executiva,o conselho de administração é composto por acionistas e colaboradores da corporação e tem como função zelar pelas boas atitudes e legalidade das ações do conselho de gestão.

Por ter uma gestão compartilhada entre a empresa e os acionistas, esse modelo oferece maior influência no mercado financeiro. Entretanto, o modelo anglo-saxão é mais forte para quem tem como foco o mercado de capitais.

Leia também: Diferença entre governança e compliance: entenda os conceitos e como usá-los

Ou seja, os pontos de atenção para as organizações que instituem ou planejam instituir esse tipo de governança corporativa são:

  • Criação de dois conselhos diferentes;
  • Gestão aberta para diversos interesses;
  • Representação constante dos bancos.

Modelo latino-americano

Esse modelo de governança corporativa, em que os objetivos da gestão são mais prioritários aos dos stakeholders, é influenciado pela centralização de propriedades e pouca influência do mercado de capitais. Além da abertura ao mercado, as privatizações possuem grande influência nesse tipo de governança.

Já que não há divisão entre propriedade e capital nesse sistema, os processos e tomadas de decisões são ainda mais benéficas para os cargos de alto escalão da empresa.

Modelo latino-europeu

Nesse modelo podemos ver uma combinação entre os modelos latino-americano e anglo-saxão. Enquanto há uma concentração de propriedade que acaba tornando o controle predominantemente interno, existe uma propensão de abertura do capital.

Ademais, a proteção para os acionistas minoritários é menor e o mercado de capitais, menos relevante. Vale reforçar também que a liquidez é mais baixa que no sistema anglo-saxão.

E como as presidências do Conselho Administrativo e da diretoria costumam ser justapostas, também é crescente a presença de outsiders independentes na organização.

Qual é o melhor modelo de governança corporativa para a minha empresa?

Agora que você pôde conhecer os principais modelos de governança corporativa e suas diferenças, fica a dúvida: qual é o melhor modelo de governança corporativa para a minha empresa?

A resposta é simples: depende. Cada empresa possui uma estrutura, cultura e objetivos diferentes, portanto o modelo ideal é o que se encaixam no presente, assim como no futuro da corporação.

Vale afirmar que o modelo de governança corporativa deve se encaixar na empresa, não o contrário. Para isso, reúna os membros do seu conselho (ou os acionistas, ou gestores da empresa, caso não exista um conselho) para debater quais são os próximos passos da corporação. 

Com uma visão de curto e médio prazo, será mais fácil escolher o(s) finalista(s). Essa tabela com os principais pontos dos cinco principais modelos, produzida pelo blog Governança Corporativa, pode ajudar nessa definição:

Também não se esqueça que esses são apenas modelos, que também podem ser mesclados ou adequados para melhor atender sua corporação. Outra sugestão é a contratação de uma consultoria externa, que ofereça uma visão de fora e alinhe as expectativas das partes interessadas com a melhor opção.

Enquanto esse modelo deve levar mais qualidade, segurança e eficiência na gestão empresarial, a gestão de fornecedores garante a governança corporativa com os terceiros. Com ela, é possível evitar erros e fraudes na homologação de fornecedores através de consultas públicas e emissão de certidões corporativas, melhorando o relacionamento com parceiros. 

Ademais, o monitoramento de fornecedores e Compliance permanente com o auxílio de robôs permite mitigar riscos e tornar o processo mais eficaz. Converse com um de nossos especialistas e veja como a Linkana pode lhe ajudar:

Leo Cavalcanti

Leo Cavalcanti

Advogado, especialista em Planejamento Tributário e Finanças, soma mais de 05 anos de experiência com rotinas de auditoria empresarial e tributária, além de conhecimento em controladoria e práticas de departamento jurídico corporativo. Atualmente é CEO e um dos co-fundadores da Linkana.