Estrutura de apetite a riscos: confira o nosso guia completo sobre o assunto!

Em setembro de 2020, a rede de varejo Magazine Luiza fez um anúncio que gerou debate no país: o lançamento de um programa de trainee exclusivo para afrodescendentes.

Com 53% dos colaboradores negros, mas apenas 16% em cargos de liderança, a empresa criou esse programa pois “o processo seletivo não ia de acordo e a gente entendeu que as exigências excluíam negros”, segundo Luiza Helena Trajano, presidente do conselho de administração do Magazine Luiza.

Enquanto muitos se incomodaram e chegaram a afirmar que o programa era inconstitucional, na bolsa de valores de São Paulo o resultado foi outro: a valorização de 2,6% da empresa.

Esse é apenas um de milhares de exemplos de como os riscos tomados por uma empresa podem influenciá-la positiva e/ou negativamente. Mas como saber quão arriscado devem ser as decisões tomadas pela sua organização? Através de uma estrutura de apetite a riscos.

É com esse sistema que a sua empresa poderá tomar decisões que sejam confortáveis e correspondentes à visão de negócio, mas também ajude a empresa a dar passos maiores para se concretizar no mercado. 

O que é uma estrutura de apetite a riscos?

Quando você tinha 15 anos, você experimentava comidas diferentes ou inusitadas, praticava esportes radicais ou viajava com pouco dinheiro já sabendo que “passaria perrengues”? E hoje, você já evita parte deles, não é mesmo?

Isso significa que o seu apetite a riscos mudou – assim como pode acontecer na sua empresa.

O apetite ao risco pode então ser interpretado como o tipo e quantidade de risco que uma organização está disposta a buscar, manter ou assumir. E para montar essa estrutura de apetite ao risco em uma empresa, alguns dos fatores analisados são:

  • Valores
  • Indústria
  • Mercado e concorrentes
  • Situação financeira da organização 
  • Agressividade dos objetivos desejados pela organização

De maneira resumida, a estrutura de apetite a riscos está bem próxima à alta administração e a vontade dela em assumir incertezas olhando para as recompensas que a empresa poderá receber. 

Portanto, se a empresa se interessa em enfrentar perigos olhando para o objetivo final, seu apetite é elevado. Já as empresas conservadoras, que costumam fazer apostas mais seguras, possui um baixo apetite a riscos.

Como definir a estrutura de apetite a riscos na minha empresa?

Apesar de cada empresa ter um apetite diferente, existem algumas boas práticas que podem ser adotadas por qualquer organização que deseje definir uma estrutura de apetite a riscos. Confira abaixo essas práticas.

Liste todos os possíveis riscos no seu modelo de negócio

O início da criação de uma estrutura de apetite a riscos está na listagem de todos os riscos que envolvem a sua empresa. Para isso, é importante realizar sessões de brainstorming com todas as equipes para que todos os perigos de cada área sejam vistos, por menores que sejam.

Avalie o impacto e a probabilidade dos riscos se concretizarem

Para que a sua empresa possa ter o máximo possível de informações, é importante que seja avaliada a probabilidade de cada um dos riscos listados se concretizarem, além das consequências que cada uma dessas ameaças pode causar à organização.

Uma matriz de probabilidade e impacto, ou matriz de riscos, pode ajudar nessa tarefa. Com as informações levantadas, basta alimentar a matriz com base no nível de probabilidade (baixo, médio ou alto) e no impacto que esse risco teria (insignificante, moderado e catastrófico).

Também vale citar que as classificações usadas na tabela abaixo são apenas sugestões e a matriz pode ser adaptada para a necessidade da empresa.

Entenda os mecanismos de contenção de danos

Agora que todos os riscos estão listados e organizados, o próximo passo é se questionar quais são os mecanismos e os gastos necessários para conter os danos referentes aos riscos que a organização optou por assumir.

Se a sua empresa identificar, por exemplo, que um fornecedor usa mão-de-obra escrava, deverão ser levantados os custos de encerramento deste contrato e de homologação de outro parceiro, além dos custos caso a empresa opte por seguir com essa parceria e ela seja revelada pela imprensa.

Também podem ser analisados gastos relacionados às ferramentas que podem ser utilizadas nos processos de mitigação dos riscos. No exemplo anterior, a organização pode ser beneficiada por uma ferramenta de homologação de fornecedores.

Com ela, o processo de homologação pode ser automatizado, agregando segurança e eficiência à sua gestão de Procurement. A Linkana é a responsável por um dos principais softwares do mercado, que possibilita aperfeiçoar o processo de qualificação de fornecedores e Procurement, além de monitorar fornecedores e programar alertas de inconsistências e irregularidades para garantir mais segurança e confiança nos relacionamentos.

Determine o apetite a riscos que a empresa poderá ter

Pronto, você finalmente chegou ao tão esperado passo da estrutura de apetite a riscos: determinar o tamanho da “fome” da empresa. 

Para entender qual é o nível máximo de tolerância ao risco, é importante entender quantos riscos a organização consegue absorver e qual o tamanho deles.

Além de olhar para as informações de todos os passos anteriores em mãos, não deixe de também alinhar essa fome com a estratégia organizacional do modelo de negócio da instituição. Sem esse posicionamento, a contribuição dos riscos à empresa podem ser baixos.

Leia também: Como criar um plano de contingência: confira o guia definitivo e prático para o seu negócio!

Entendeu como montar uma estrutura de apetite a riscos?

O principal ponto dessa estrutura não deixa de ser a fome. Da mesma maneira que você pode comer pouco e passar fome, também é possível comer mais que deveria e sofrer as consequências dessa indigestão.

Por isso, ao implementar essa estrutura na sua organização, não deixe de comparar o relacionamento com o limite de riscos para garantir que os objetivos desejados serão alcançados sem prejudicar a empresa.

Leo Cavalcanti

Leo Cavalcanti

Advogado, especialista em Planejamento Tributário e Finanças, soma mais de 05 anos de experiência com rotinas de auditoria empresarial e tributária, além de conhecimento em controladoria e práticas de departamento jurídico corporativo. Atualmente é CEO e um dos co-fundadores da Linkana.