Gestão de riscos financeiros: conceito, importância e guia de aplicação

Uma empresa de sucesso não alcança esse status sem combater ameaças ao seu faturamento. A gestão de riscos financeiros é essencial para proteger a operação do empreendimento, atuando de forma preventiva e corretiva, combatendo a probabilidade de prejuízos e implementando soluções rápidas e eficientes, caso eles se concretizem.

Em um mundo ideal, não seria preciso investir na gestão de riscos financeiros, mas administradores preparados não se dão ao luxo de considerar essa fantasia. Toda empresa está sujeita a prejuízos, sendo essencial identificar as possíveis fontes de ameaças, chances delas se realizarem e o impacto sofrido, bem como desenhar a ação de controle de danos.

Ao longo do artigo, iremos explicar o que é a gestão de riscos financeiros, como ela se encaixa na rotina das empresas e sua real importância para elas. Por fim, vamos apresentar 6 passos para identificar os riscos e implementar estratégias de gerenciamento para todos eles. 

O que é gestão de riscos financeiros?

Qualquer empresa em atividade, independente do segmento, está sujeita a riscos de diversas fontes. Mesmo em operações autossuficientes, riscos operacionais e logísticos podem se tornar realidade e acabar afetando o seu faturamento.

Isso fica ainda mais forte para empresas que atuam com uma cadeia de suprimentos mais extensa, onde diversas partes de sua operação estão sujeitas a riscos de fornecedores. Além disso, o mercado consumidor é imprevisível, podendo mudar do dia para a noite a forma como os produtos ou serviços de uma marca são adquiridos.

Um exemplo disso é a pandemia da covid-19, que em 2020 alterou bastante o comportamento do consumidor, interrompeu diversas atividades e obrigou várias outras a se ajustarem para continuar em funcionamento.

Nesse contexto, tivemos ações interessantes por parte de grandes empresas, que criaram estratégias para amparar seus pequenos fornecedores. Como é o caso da Renner, varejista do setor de roupas, que criou linhas para antecipar o pagamento de recebíveis dos fornecedores, liberando R$ 400 milhões em crédito.

Não importa o quão improvável é um cenário de crise ou ameaça ao faturamento, é essencial que a empresa saiba como o mercado afeta os seus números e, mais importante, tenha desenhado um fluxo de reação para ameaças que se tornem realidade.

Dessa forma, gestão de riscos financeiros é o conjunto de ações de uma empresa para identificar origem, classificação, probabilidade e impacto de um eventual prejuízo, além de montar uma estratégia de recuperação e controle de danos para diminuir tal impacto e implementar uma solução.

Importância do gerenciamento de riscos financeiros

A principal relevância de gerenciar os riscos financeiros na sua empresa vem da prevenção e capacidade reativa em caso de ameaça ou prejuízo. De modo geral, tudo que pode acontecer deve estar mapeado e a forma como a empresa irá fechar o buraco no faturamento já estará desenhada.

Se preparar para oscilações e riscos ao faturamento garante o preparo da empresa em qualquer cenário, preservando a sua operação acima de qualquer ameaça. 

Para entender a importância da gestão de riscos financeiros, podemos tomar o exemplo novamente no prejuízo causado pela pandemia no mercado de alimentos. 

Enquanto franquias e empresas mais estruturadas souberam se preparar e atuar principalmente através de delivery e drive thru, outras de pequeno porte não conseguiram se adequar ao atendimento à distância, muitas acabaram até mesmo declarando falência.

Assim, podemos ver que, independente do porte, saber se preparar contra imprevistos é essencial para se manter em atividade em um cenário de crise. Mais que isso, empresas que buscam atingir metas de crescimento, precisam de uma gestão de riscos financeiros de alto nível, para garantir a segurança e o retorno de todo investimento.

Principais tipos de riscos financeiros

O risco ao faturamento pode surgir de diversas origens, com maior ou menor probabilidade de acontecerem, dependendo de cada caso. Embora existam fontes de ameaças praticamente imprevisíveis, a maior parte, felizmente, é conhecida.

Conhecer tais tipos de riscos financeiros é essencial para a gestão da empresa, uma vez que para cada categoria de ameaça, teremos um nível de impacto e um conjunto de ações específicas para recuperar o prejuízo.

Dito isso, vamos conhecer agora os principais tipos de risco financeiro para empresas.

Risco de crédito

O risco de crédito acontece quando uma das partes envolvidas não consegue honrar com os pagamentos ou obrigações com a outra, resultando em uma situação de inadimplência. 

Durante a análise de crédito da pessoa jurídica, quando identificado que a empresa não consegue realizar pagamentos, a possibilidade de novos negócios será prejudicada. Ao mesmo tempo, empresas que não recebem de seus clientes sofrerão com a diminuição no fluxo de caixa.

Risco de mercado

Decorre de eventuais declínios no mercado, afetando os investimentos de uma empresa, reduzindo valores ou causando perda total dos mesmos. Vale destacar que o risco de mercado pode resultar em queda no patrimônio líquido, caso os ativos da empresa percam valor e todo o custo se mantenha estável.

Risco de liquidez

O risco de liquidez ocorre quando títulos e ativos não podem ser convertidos em dinheiro ou problemas de gestão resultam em incapacidade da empresa em realizar pagamentos de suas contas. Além do risco de inadimplência, a reputação perante os credores é altamente prejudicada.

Risco operacional

Tudo que ameaça a continuidade operacional diária da empresa entra nessa categoria. Do risco causado por maquinário avariado à falta de suprimentos, erro humano e outras falhas processuais.

Risco de juros

Mudanças repentinas nas taxas de juros afetam diretamente o faturamento e causam perdas financeiras. Ocasionados principalmente por flutuações mercadológicas, é uma vertente do risco de mercado.

Risco cambial

Afetando principalmente movimentações em moedas ou mercados estrangeiros, o risco cambial diz respeito a variações bruscas nas taxas de câmbio e podem impactar drasticamente os valores recebidos em operações diversas, incluindo importação e exportação.

Risco fiscal

O risco fiscal envolve todas as ameaças relacionadas ao sistema tributário de uma empresa e como ela atua para arcar com esse custo. Flutuações e ajustes podem ocorrer a todo o tempo, sendo importantíssimo acompanhar as movimentações dos poderes públicos nesse setor para não ser pego de surpresa.

Como fazer a gestão de riscos financeiros em 6 etapas

Agora que já sabemos o que é gestão de riscos financeiros e sua importância para a saúde e lucratividade de uma empresa, é hora de conferir como implementar esse gerenciamento ao seu empreendimento.

Veja a seguir o nosso guia de aplicação da gestão de riscos financeiros em 6 etapas:

1. Identificar o tipo de risco e definir ordem de prioridade

O primeiro passo é identificar os tipos de risco pertinentes ao seu mercado de atuação. Cada setor irá lidar com um cenário e fontes diferentes de ameaças, que podem ir além dos tipos de riscos financeiros citados anteriormente.

A partir dessa classificação, é importante definir quais ameaças terão prioridade na solução. Para essa tarefa, recomendamos utilizar a Matriz de Kraljic. Esse modelo muito utilizado na gestão de fornecedores é interessante, pois classifica riscos de acordo com a probabilidade de acontecerem e também quanto ao impacto que eles podem causar.

Para entender como funciona a Matriz Kraljic, o vídeo abaixo de Renato Honorato é bem educativo:

Vale destacar que a mesma metodologia pode ser facilmente aplicada à gestão de riscos da sua empresa, não apenas na matriz de compras.

2. Defina a tolerância e exposição aceitável ao risco

Se expor a riscos é intrínseco e necessário para empresas que buscam aumentar o seu faturamento e presença no mercado. É como diz o ditado, “não se faz um omelete sem quebrar os ovos”. 

Assim, é preciso definir a tolerância da empresa e o nível de exposição aceitável para cada risco financeiro. A partir disso, os gestores têm maior liberdade para tomar a decisão correta e, correndo um risco aceitável, aumentar o valor de uma empresa.

3. Crie diretrizes e estratégias para tratar cada tipo de risco

Como mencionado anteriormente, parte essencial da gestão de riscos financeiros é desenhar a reação da empresa caso os riscos identificados se concretizem. Isso define a estratégia da empresa para lidar com cada risco e diminuir o impacto sofrido na operação e no faturamento.

É importante frisar que essa estratégia precisa estar alinhada às diretrizes de Compliance e governança corporativa da empresa, que também irão ser de grande relevância para lidar com riscos imprevistos.

4. Coloque estratégias em prática e monitore seu desempenho

Com as estratégias definidas, é hora de colocá-las em prática, principalmente aquelas que dizem respeito à prevenção e mitigação de riscos. Além de implementar as estratégias de gestão de riscos financeiros, é essencial monitorar sua performance e eficiência.

Para isso, é preciso ficar de olho nos principais indicadores de desempenho financeiro da sua empresa.

5. Faça auditorias periódicas

Completando o monitoramento de desempenho da empresa, é preciso manter o acompanhamento através de auditorias periódicas, tanto internas quanto externas. Dessa forma, é possível certificar que as estratégias estão trazendo os resultados esperados.

6. Acompanhe o mercado e atualize-se

Depois de tudo isso, ainda não acabou. O mercado é um organismo vivo e em constante evolução. Por isso, a gestão de riscos financeiros só é completa quando sua empresa mantém o acompanhamento próximo do que está acontecendo do lado de fora das suas instalações.

Acompanhar o mercado e atualizar a gestão de riscos financeiros, caso seja necessário, é essencial para manter a eficiência e garantir a lucratividade da operação.

Um bom exemplo de ferramenta de mercado é o V360, que automatiza a captura, validação e ingresso das notas fiscais. Assim, é possível mitigar riscos de atrasos e erros manuais, evitando multas e juros para a empresa

Gestão de risco na qualificação de fornecedores

Como vimos, a gestão de riscos financeiros depende de vários fatores e uma empresa precisa se cercar de parceiros confiáveis para mitigar riscos. Para encontrar bons fornecedores e combater riscos provenientes da cadeia de suprimentos, utilize o sistema de e-procurement da Linkana, perfeito para análise pública de fornecedores totalmente eficiente e automatizada.

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Leo Cavalcanti

Leo Cavalcanti

Advogado, especialista em Planejamento Tributário e Finanças, soma mais de 05 anos de experiência com rotinas de auditoria empresarial e tributária, além de conhecimento em controladoria e práticas de departamento jurídico corporativo. Atualmente é CEO e um dos co-fundadores da Linkana.